20:10 16 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    124515
    Nos siga no

    Articulação entre ex-presidentes da República e Forças Armadas teria sido feita por ex-ministros da Defesa. Segundo militares, pela instituição, não haverá impedimento para as eleições, mas o mesmo pode não ser aplicado à Polícia Militar.

    De acordo com o Estadão, cinco ex-presidentes da República do Brasil entraram em contato com as Forças Armadas para avaliar a chance de golpe no país em meio aos ataques do atual presidente, Jair Bolsonaro, ao Judiciário e ao sistema eleitoral brasileiro.

    Os cinco ex-mandatários que entraram em contato com militares foram: Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e José Sarney.

    Os ex-presidentes ouviram de generais da reserva e da ativa a garantia de que as eleições vão acontecer e que o vencedor, seja quem for, tomará posse.

    Durante as conversas, os generais foram questionados sobre as constantes aparições de Bolsonaro em solenidades militares das Forças Armadas. Segundo a mídia, eles explicaram aos seus interlocutores que não podem impedir a presença do presidente nesses eventos, mas que ela não será suficiente para romper a hierarquia. Ou seja, afastaram a hipótese de Bolsonaro contar com insubordinação dentro das forças.

    Entretanto, os militares expressaram preocupação de que o presidente e seus aliados tentem fazer isso em uma manobra dentro da Polícia Militar. O risco de rompimento da cadeia de comando nas PMs é monitorado pelas Forças Armadas.

    Tanques da Marinha do Brasil passam próximas bandeiras com a imagem do Presidente do Brasil Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios após desfile militar em Brasília, Brasil 10 de agosto de 2021.
    © REUTERS / ADRIANO MACHADO
    Tanques da Marinha do Brasil passam próximas bandeiras com a imagem do Presidente do Brasil Jair Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios após desfile militar em Brasília, Brasil 10 de agosto de 2021.

    A comunicação entre os ex-presidentes e as Forças Armadas teria sido articulada pelos ex-ministros da Defesa, Nelson Jobim, Raul Jungmann e Aldo Rebelo.

    Também participou do movimento o professor de filosofia Denis Lerrer Rosenfield, que é amigo de Temer e mantém boas relações com generais, como o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Sérgio Etchegoyen e com o vice-presidente Hamilton Mourão. Pelo menos seis generais da ativa e da reserva forneceram os relatos sobre a situação do Exército, de acordo com o Estadão.

    "Antes de mais nada, essa não é uma discussão boa para o país, uma discussão que tem como agenda o envolvimento de militares na política. Não é um bom sinal […] a boa notícia dentro da má notícia é que os militares não estão interessados em desempenhar um protagonismo na desorientação que estamos atravessando", disse o ex-ministro Aldo Rebelo.

    Para Rebelo, a disputa eleitoral de 2022 é um problema que os civis devem resolver.

    "Não são os militares que vão resolver problemas criados pelos civis. Eles já são responsáveis por muita coisa importante", afirmou.

    De acordo com a mídia, além dos ex-presidentes, os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), receberam o mesmo relato.

    Mais:

    Barroso teve reunião secreta com Mourão em casa para saber se Forças Armadas apoiam golpe, diz mídia
    'Forças Armadas do Brasil procuram apoiar, não intervir', diz analista ante inspeção da ONU
    Alta cúpula das Forças Armadas adverte Moraes a 'não entrar no ringue' com Bolsonaro, diz mídia
    Tags:
    Forças Armadas do Brasil, militares, FHC, Lula, ex-presidentes
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar