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    Brasil lidando com COVID-19 no início de junho de 2021 (42)
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    A infectologista Luana Araújo chegou a ser anunciada para a secretaria de Enfrentamento à COVID-19 do Ministério da Saúde, mas não ocupou o cargo. A profissional chamou tratamento precoce de "discussão delirante".

    A CPI da Covid ouve, nesta quarta-feira (2), a médica infectologista Luana Araújo, que chegou a ser anunciada como secretária extraordinária do Ministério da Saúde de Enfrentamento à pandemia, mas que não chegou a exercer a função. Segundo ela, o próprio ministro Marcelo Queiroga disse que "lamentava, mas que a nomeação [dela] não sairia", sem dar mais detalhes que justificassem a negativa.

    Para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD do Amazonas), o depoimento da médica servirá para "mostrar que houve ingerência política no Ministério da Saúde".

    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), durante sessão no dia 20 de maio de 2021
    O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), durante sessão no dia 20 de maio de 2021

    A especialista demonstrou ser contra o uso da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19 por falta de comprovação científica. E afirmou que a discussão sobre tratamento precoce é "delirante" e ainda "esdrúxula e contraproducente".

    "Estamos discutindo de que borda da Terra plana vamos pular", disse a médica sobre assunto, justificando que não há comprovação científica para nenhum tratamento e demonstrando claramente seu posicionamento anti-negacionista e favorável à Ciência. 

    "Nós não temos nenhuma ferramenta farmacológica que possa ser utilizada de forma inicial que impeça a progressão da doença", declarou Luana Araújo, que citou métodos científicos e estudos ao longo de seu depoimento.

    A infectologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro disse desconhecer a existência de um "gabinete paralelo" no governo. Durante os dez dias em que atuou na pasta, foram reveladas declarações dela contra o uso indiscriminado dos medicamentos cloroquina e ivermectina, além de ser contrária ao tratamento precoce. Posicionamentos avessos aos defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia. 

    A infectologista Luana Araújo em depoimento na CPI para apurar ações durante a pandemia da COVID-19, em Brasília, 2 de junho de 2021
    © REUTERS / Adriano Machado
    A infectologista Luana Araújo em depoimento na CPI para apurar ações durante a pandemia da COVID-19, em Brasília, 2 de junho de 2021

    Imunidade de Rebanho

    Ao contrário da médica Nise Yamaguchi, que prestou depoimento na terça-feira (1º), Araújo acredita que a chamada "imunidade de rebanho" não é uma estratégia inteligente. 

    "É muito esperado [cientificamente] que vírus com base em material genético de RNA sofra mutações ao longo do tempo. Existem algumas poucas mutações que mudam o grau de transmissibilidade do vírus ou possibilidade de ser uma infecção mais grave. Então, a possibilidade de uma imunidade de rebanho no SARS-CoV-2 é impossível de ser atingida", detalhou a médica. 

    Segundo a infectologista, a imunidade eficaz só será atingida por meio da vacinação em massa da população.

    "Conseguimos fazer isso com a vacinação por que conseguimos uma reposta mais sólida e com um período de tempo mais curto. A gente atinge imunidade com vacinação sem sofrimento. Não posso imputar sofrimento e morte a uma população. Para mim, é muito estranho que a gente discuta esse tipo de coisa. Não tem lógica", concluiu. 
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    Brasil lidando com COVID-19 no início de junho de 2021 (42)

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    Tags:
    Ministério da Saúde, tratamento, Hidroxicloroquina, pandemia, COVID-19, CPI
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