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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
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    Aplicativo desmente o ministro Eduardo Pazuello, que disse publicamente que o governo nunca receitou cloroquina de forma preventiva. Entre os principais remédios recomendados no aplicativo estão a cloroquina, ivermectina, azitromicina e até antibióticos.

    Após o Ministério da Saúde ter lançado uma plataforma on-line que oferece um formulário clínico para que profissionais de saúde receitem medicamentos do "kit COVID", diversas denúncias nas redes sociais revelam que os medicamentos, além de serem indicados para qualquer pessoa que preencha uma ficha de cadastro, são comprovadamente ineficazes.

    ​Além disso, o aplicativo desmente o titular da pasta, que disse publicamente que o governo federal nunca receitou cloroquina de forma preventiva.

    O TrateCov, do governo federal, pede informações como comorbidades, exposição a ambientes de risco e possíveis sintomas. A plataforma então atribui um "nível" de gravidade ao paciente. Em seguida, disponibiliza uma receita com diversos medicamentos para um suposto tratamento da doença.

    ​Apesar de ser direcionada a profissionais de saúde, o acesso à plataforma é livre e gratuito, sem a necessidade de realizar um login para ter acesso a uma receita.

    A assessora do médico Drauzio Varella, Mariana Varella, relata que citou no formulário duas idas ao supermercado e ausência de comorbidades. Seus sintomas são apenas fadiga e dor de cabeça, que duraram apenas um dia. O TrateCov, no entanto, receitou diversos medicamentos do "kit COVID" e dois antibióticos.

    ​Já o médico Pedro Opará decidiu simular um paciente fictício na plataforma. Ele conta que, mesmo citando comorbidades como hipertensão e diabetes, doenças que contraindicam medicamentos do "kit COVID", o TrateCov continuou a recomendar esses remédios.

    ​Nas redes sociais, outros usuários relataram situações semelhantes.

    ​Cloroquina no Brasil

    O Ministério da Saúde adquiriu e distribuiu todos os 5,8 milhões de comprimidos de cloroquina obtidos ao longo de 2020. Em julho, o estoque era de 4 milhões de comprimidos.

    De acordo com a pasta, isso aconteceu por causa dos pedidos feitos por prefeituras e governos estaduais. "O Ministério da Saúde adquire apenas a cloroquina e não possui estoque, uma vez que o medicamento foi distribuído de acordo com pedidos e planejamento prévio dos estados".

    ​Nas Forças Armadas, os gastos com o medicamento foram de R$ 1,5 milhão até o mês de junho. O governo federal também recebeu três milhões de comprimidos de hidroxicloroquina, que é utilizada para tratamento de doenças como artrite reumatoide, lúpus e dermatomiosite, doados pelo governo dos EUA. Nos estados consultados e nas Forças Armadas, o lote de medicamentos que vence mais rapidamente vai até março de 2021.

    Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (à esquerda), e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à direita), participam de cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, em 14 de outubro de 2020
    © Folhapress / Edu Andrade
    Em Brasília, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (à esquerda), e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (à direita), participam de cerimônia no salão nobre do Palácio do Planalto, em 14 de outubro de 2020

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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)

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    Tags:
    Governo Federal, aplicativo, COVID-19, remédios, Hidroxicloroquina, Ministério da Saúde, Brasil
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