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    Brasil luta contra COVID-19 no final de dezembro (60)
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    Atraso na compra de seringas e alta concorrência para conseguir insumos necessários para a imunização da população podem atrasar a vacinação contra COVID-19 no Brasil, segundo a análise do virologista Eduardo Flores, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

    O pregão do Ministério da Saúde, realizado nesta terça-feira (29), garantiu o fornecimento de apenas 2,4% do total de seringas e agulhas que o governo brasileiro tentou comprar para serem usadas na vacinação contra a COVID-19 no país.

    Para Flores, processos de licitações públicos podem demorar e essa lentidão traz "preocupação" para o país.

    "Pode atrapalhar o início [da vacinação] porque nós sabemos que todo o processo de compra por órgãos públicos envolve licitação, e isso é demorado. Claro que pode prejudicar o início de uma vacinação em um número maior de pessoas", afirmou à Sputnik Brasil.

    O pregão eletrônico previa a compra de um total de 331 milhões de seringas, mas as empresas que participaram ofertaram 7,9 milhões. As companhias se queixaram que os preços estavam abaixo dos praticados normalmente.

    Segundo o virologista, o grande problema não é o pregão em si, já que em situações de emergências é possível o governo fazer compras com dispensa de licitação.

    "O problema que eu vejo é que é bem possível que as empresas que estão produzindo esses insumos estejam totalmente comprometidas com outros países, essa é uma preocupação", declarou.

    O Ministério da Saúde terá que realizar um novo pregão, sem data definida até o momento. O governo de São Paulo também enfrentou dificuldades em conseguir comprar seringas, agulhas e outros insumos.

    Enfermeira segura dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19 fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac.
    Amanda Perobelli
    Enfermeira segura dose da CoronaVac, vacina contra a COVID-19 fabricada pela farmacêutica chinesa Sinovac.

    No pregão finalizado no dia 18 de dezembro, o estado conseguiu fornecedores para menos da metade da quantidade prevista em 27 pregões eletrônicos.

    "Grande parte desses insumos laboratoriais vem da China, essas indústrias estão com a capacidade esgotada devido à demanda de outros países", analisou Flores.

    A Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) afirmou ao jornal O Estado de São Paulo que desde julho alerta o ministério sobre a necessidade de planejar a compra das vacinas.

    Segundo o professor da UFSM, o ideal seria o Brasil ter realizado pregões antes, com antecedência.

    "É uma pena que nós não tenhamos nos atentado para isso antes, há três, quatro, cinco, seis meses porque poderia ter sido feito de maneira menos traumática, antes que houvesse tal demanda por esses produtos", comentou.

    A estimativa do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, é começar a imunização da população brasileira contra a COVID-19 em fevereiro. Até o momento nenhuma vacina obteve aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    Eduardo Flores disse que a estratégia do governo federal deveria se basear em três pilares.

    "A melhor estratégia penso que primeiro seja procurar diferentes fornecedores, segundo seria verificar a disponibilidade de seringas e agulhas que nós já temos no Brasil e, em terceiro lugar, se houver demora nesse processo licitatório talvez seja a dispensa de licitação", completou.

    O Brasil contabilizou nesta quarta-feira (30) 1.224 novas mortes pela COVID-19 no país, subindo o número total de óbitos para 193.940.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil luta contra COVID-19 no final de dezembro (60)
    Tags:
    Sistema Único de Saúde (SUS), saúde pública, saúde, hospitais, hospital, imunizante, imunização, vacinação, vacina, novo coronavírus, Ministério da Saúde, Brasil, COVID-19
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