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    Brasil enfrenta COVID-19 no fim de outubro (38)
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, o Doutor Fernando Barros entende que, se voluntário recebeu placebo, então não houve falha da vacina da AstraZeneca.

    O falecimento do médico João Pedro Feitosa nesta quarta-feira (21) no Rio de Janeiro não é motivo para que os brasileiros deixem de tomar uma vacina devidamente eficaz. Mas desde que o voluntário tenha tomado placebo, ou seja, uma substância administrada em substituição a um medicamento com a finalidade de suscitar ou controlar reações fisiológicas no corpo do paciente.

    A opinião é do médico epidemiologista Fernando Barros, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) no Rio Grande do Sul.

    "Se é real o fato de que este jovem médico participou do teste da AstraZeneca e recebeu um placebo, é como se ele não tivesse recebido a vacina, ele realmente não recebeu a vacina, não há uma falha na vacina", disse nesta quinta-feira (22) à Sputnik Brasil.

    Barros explicou que os testes de imunizantes são sempre feitos com placebo. E falou sobre o procedimento.

    "Todos os testes com drogas são duplo-cego, ou seja, nem a pessoa que administra, nem a pessoa que recebe, sabe que está recebendo a própria substância ativa que no caso é a vacina contra a COVID-19", comentou.

    Feitosa, de 28 anos, participava de pesquisa clínica que testa a segurança da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, em parceria com a empresa farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca. Segundo informou o site G1, ele tomou como placebo uma vacina contra a meningite. Mas tanto a universidade como a empresa se negaram a divulgar mais informações alegando cláusulas de sigilo. E os testes continuam.

    O Doutor Fernando Barros também achou "excelente" o resultado de uma pesquisa divulgada pela revista britânica Nature onde 85,3% dos brasileiros estariam dispostos a tomar qualquer imunizante eficaz e seguro contra a COVID-19, um índice que só perde para a China com 88,6% a favor da imunização.

    "Eu até esperaria que fosse mais. Um vírus tão mortal como esse, eu esperaria que quase 100% das pessoas dissessem que querem ser vacinadas se a vacina é segura e eficaz. Porque não há risco, só há vantagem em receber a vacina", continuou.

    O epidemiologista também defende que não haja "politização" em exigência de imunização. E que as próprias pessoas vão se sentir "obrigadas" a tomá-la já que ela representa segurança e que provavelmente será exigida para viagens e trabalhos. Para ele, não importa qual o país de produção da vacina, e sim sua qualidade.

    A informação de que continuam os testes com a vacina da AstraZeneca chegou a Moscou, sede do Centro Gamaleya, laboratório biológico que produziu a vacina Sputnik V. Para o diretor Aleksandr Gintsburg o importante é ter certeza do que se diz.

    "Se a inexistência de relação causa e efeito for confirmada por membros da comunidade médica, que têm o devido direito de confirmação no âmbito do protocolo destes testes, então, obviamente, [os testes] devem continuar. Se houver qualquer indício de conexão entre vacinação e morte, então, obviamente, [os testes] devem ser interrompidos sob qualquer legislação", concluiu Gintsburg.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem atualmente mais de cem potenciais vacinas contra a COVID-19 em desenvolvimento em todo o mundo.

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    Brasil enfrenta COVID-19 no fim de outubro (38)

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    Tags:
    OMS, Sputnik V, vacinação, vacina, Universidade de Oxford, COVID-19
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