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    Quebra de sigilo bancário mostrou que Márcio Gerbatim, ex-assessor do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), sacou em espécie por dois anos salário que recebia no gabinete, segundo Ministério Público. 

    Os saques foram realizados entre 2008 e 2010, quando o cabeleireiro, ex-companheiro de Márcia Aguiar, atual mulher de Fabrício Queiroz, era funcionário de Carlos na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

    Os extratos foram revelados como parte de investigação do MP sobre suposta prática da rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), segundo matéria publicada pelo jornal O Globo.

    Gerbatim foi assessor de Flávio, que atualmente é senador, entre 2010 e 2011, mas como a quebra de sigilo abrangeu o período de 2007 e 2018, a movimentação de sua conta no Banco do Brasil que recebia o salário da Câmara de Vereadores foi identificada. 

    Senador Flávio Bolsonaro deixa o anexo I do Senado Federal após prestar depoimentos para procuradores do MPF em seu gabinete, em 20 de julho
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por suposta prática da rachadinha quando era deputado estadual

    Gerbatim seria funcionário fantasma

    Carlos Bolsonaro é investigado em outro procedimento do MP sobre esquema de corrupção em seu gabinete e uso de funcionários fantasmas, levado a cabo pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc). 

    Segundo matéria do jornal O Estado de S.Paulo, Gerbatim não era visto trabalhando na Câmara de Vereadores. 

    Entre maio de 2008 e maio de 2010, Gerbatim recebeu R$ 89.143,64 como funcionário do gabinete de Carlos. O total de créditos em sua conta no período foi de R$ 93.422,91. Ele retirou em dinheiro vivo a soma de R$ 90.028,96. 

    A movimentação pode indicar a prática da rachadinha, que ocorre quando funcionários do gabinete de um político devolvem seus salários ou parte dele para outros assessores ou o próprio parlamentar. O MP investiga se Fabrício Queiroz comandava um esquema como esse quando trabalhou para Flávio Bolsonaro. 

    Jair Bolsonaro depositou R$ 10.000

    Após ser nomeado para o gabinete de Flávio, o cabeleireiro passou a receber o salário da Alerj em outra conta e as movimentações no Banco do Brasil escassearam. No entanto, em 9 de junho de 2010, o presidente Jair Bolsonaro fez um depósito de R$ 10.000 para Gerbatim. Dois dias depois, ele compareceu à Real Veículos Comércio e Serviços e efetuou um pagamento do mesmo valor. Em 30 de outubro de 2008, Jair Bolsonaro fez uma transferência de R$ 100 para Gerbatim.

    A quebra de sigilo no caso da rachadinha mostrou que essas são as únicas movimentações financeiras entre o presidente e pessoas ligadas a Queiroz. Por outro lado, a primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu 27 cheques de Queiroz e de sua mulher, Márcia, totalizando R$ 89.000.

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    Tags:
    vereador, ALERJ, Rio de Janeiro, sigilo bancário, justiça, corrupção, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro
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