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    Jair Bolsonaro recebe de Donald Trump camisa da seleção norte-americana de futebol, Casa Branca, Washington, 19 de março de 2019

    Bolsonaro abre Brasil ao etanol dos EUA em troca de emprego para o filho, diz deputado

    © AP Photo / Evan Vucci
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    A entrada de mais etanol proveniente dos Estados Unidos sem taxação, anunciada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), tem um interesse extremamente político e visa render um emprego ao filho do ex-capitão do Exército, avaliou um deputado da oposição ouvido pela Sputnik Brasil.

    Na opinião do parlamentar Ênio Verri (PT-PR), a decisão do Brasil de aumentar de 600 milhões para 750 milhões de litros o volume de etanol que pode entrar no país sem taxação extra de 20% representa prejuízos para a economia brasileira, e reforça a subserviência de Bolsonaro à administração de Donald Trump.

    "Na medida que o Brasil deixa de cobrar essa sobretaxa sobre a importação desse produto, nós abrimos mão de receita, no momento em que o Brasil passa por uma crise gigantesca, inclusive com dificuldades de pagar contas básicas de água e luz do Estado brasileiro. O governo Bolsonaro iniciou os cortes de bolsas de estudo, nos levando a um atraso tecnológico ainda maior que o seu governo já tem feito", analisou Verri.

    O deputado de oposição, que também é professor da Faculdade de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), pontuou ainda que a ampliação da oferta de etanol no mercado brasileiro, que é autossuficiente do produto, tende a trazer problemas para os produtores nacionais no curto, médio e longo prazo.

    Só no primeiro trimestre deste ano, importação de etanol americano cresceu cinco vezes
    Charlie Riedel/AP
    Só no primeiro trimestre deste ano, importação de etanol americano cresceu cinco vezes

    "Lá [nos EUA], como o etanol acaba tendo um certo subsídio acaba ficando mais barato do que o nosso. Por isso é que foi criada essa sobretaxa, ou imposto de importação, para que esse etanol americano chegue aqui a um preço maior do que aquilo que produzimos no Brasil. Hoje nós temos muitas usinas de produção de açúcar e álcool, que estão com parte da sua produção estocada, trabalhando em meio período porque tem mais produção do que consumo, parte por problemas internacionais e parte porque a demanda interna tem caído muito por conta da recessão que estamos vivendo", declarou o petista.

    A concessão feita pelo Brasil aos EUA foi comemorada por Trump em suas redes sociais no início da semana. Contudo, Washington ainda não deu garantias de que fará concessões ao setor açucareiro brasileiro, o que para Verri amplia a ideia de que tudo não passa de um movimento em favor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do mandatário brasileiro.

    "Essa subordinação leva com que o país tenha prejuízos muito grandes. Eu diria que é um momento triste para o povo brasileiro, ter um presidente desse que abre mão de recursos em momento tão grande que vivemos em troca de, literalmente, de um emprego para o filho", criticou, referindo-se à indicação de Eduardo para o posto de embaixador do Brasil nos EUA, que ainda precisará ser avalizada pelo Senado.

    Outro problema é a mensagem que o Brasil passa com mais esse episódio que, de acordo com Verri, consolida perante os demais países do mundo, o alinhamento automático de Bolsonaro ao governo Trump – algo que pode gerar novos prejuízos em breve aos brasileiros.

    "Nós fechamos um acordo entre União Europeia e Mercosul, no qual o Brasil tem um papel muito importante, mas ao invés de mantermos as relações transparentes e muito bem definidas, nós fazemos um acordo com a Europa e nos subordinamos aos EUA. Isso não é bom, isso pode prejudicar outros acordos internacionais que porventura estejamos construindo neste momento, mas de maneira muito pragmática e olhando a questão conjuntural apenas, o prejuízo maior é financeiro. De imediato, nós vamos ter grandes prejuízos e isso é muito ruim para o país", explicou.

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    Tags:
    diplomacia, subserviência, relações bilaterais, comércio, economia, cana de açucar, álcool, etanol, Donald Trump, Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Ênio Verri, Estados Unidos, Brasil
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