07:06 22 Novembro 2019
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    Pequim se comprometeu a não renovar a política de salvaguarda adotada para a entrada de açúcar estrangeiro na China

    Brasil espera recuperar espaço no mercado chinês após vitória na 'guerra do açúcar'

    CC BY-SA 2.0 / Gunilla G / Sugar
    Economia
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    O Ministério da Agricultura informou que Brasil e China chegaram a um acordo sobre a exportação de açúcar brasileiro para o país asiático, que vinha em queda nos últimos anos devido a sobretaxas impostas por Pequim. Com isso, foi descartado o painel solicitado na Organização Mundial do Comércio (OMC) por Brasília para analisar o tema.

    Atualmente, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a China estabelece uma cota de importação anual de 1,95 milhão de toneladas de açúcar com a tarifa de 15%. Volumes extra-cota, até 2017, tinham 50% de tributo. Mas, devido a uma salvaguarda adotada por Pequim, volumes extra-cota passaram a ser alvos de taxas bem maiores, de 95%, com uma progressão decrescente ano a ano até o final do prazo, em 2020.

    Além dessa sobretaxação, o país também dava uma preferência de importação a fornecedores com menor participação no volume, o que exclui, automaticamente, o Brasil. Por conta desse cenário, a exportação de açúcar brasileiro para o país, que ultrapassava 2,5 milhões de toneladas por ano-safra, começou a cair significativamente, chegando a 115.000 toneladas em 2017/2018 e a 890.000 toneladas em 2018/2019. 

    A fim de reverter esse quadro, o governo brasileiro fez um pedido de consulta junto à OMC, iniciando negociações. Na última terça-feira, 21, o Ministério da Agricultura anunciou que as duas partes chegaram a um entendimento sobre o assunto, que consiste em um compromisso assumido por Pequim de não renovar a política de salvaguarda adotada para a entrada de açúcar estrangeiro na China, a partir de maio do ano que vem.

    O entendimento em questão foi considerado uma grande vitória pelos produtores brasileiros, que já esperam retomar, no próximo ano, os volumes de exportação que vigoravam antes da adoção da sobretaxa. 

    ​"A expectativa é que as exportações para o país possam retornar no próximo ano aos patamares anteriores à salvaguarda. Há também a possibilidade de o Brasil colaborar com o país a ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética e, com isso, atender as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa e melhorar a qualidade do ar em suas grandes cidades", afirmou o diretor executivo da UNICA, Eduardo Leão, citado pela assessoria da união.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o economista Hélio Sirimarco, explicou que as sobretaxas que afetaram as exportações do país para o mercado chinês nos dois últimos anos também atingiram países como Austrália, Tailândia e Coreia do Sul, e foram adotadas devido a prejuízos registrados entre os produtores chineses em decorrência do aumento das importações. Mas, com essa decisão da China de não renovar as salvaguardas, o Brasil voltará a ser taxado em apenas 50% no volume que exceder a cota de 1,95 milhão de toneladas.

    "Eles [chineses] têm políticas de preservação dos produtores locais. Eles têm toda uma filosofia para proteger o produtor", declarou o especialistas, destacando, ao mesmo tempo, a grande dependência da China em relação a importações. 

    Segundo Sirimarco, independentemente dos imbróglios envolvendo o mercado chinês, as exportações de açúcar do Brasil também diminuíram porque boa parte dos produtores do setor sucroalcooleiro tem se voltado mais para o etanol. Enquanto a demanda pelo combustível aumentou, os preços internacionais do açúcar caíram significativamente no último ano, justificando a decisão. 

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    Tags:
    comércio, açúcar, Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), Ministério da Agricultura do Brasil, OMC, Hélio Sirimarco, China, Brasil
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