17:25 20 Setembro 2019
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    Ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.

    Ato pela Amazônia no Rio mira em Bolsonaro e Salles

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    No ato em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro, o grito em defesa da liberdade do ex-presidente Lula foi abafado pelo pedido de afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

    O evento desta sexta-feira (23) na Cinelândia é uma das manifestações que se espalharam pelo Brasil após a Amazônia registrar sua maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. O dado é de levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM) com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Foram 71.497 focos de incêndio entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o registrado no mesmo período de 2018.

    "Essa irresponsabilidade vai gerar desemprego no Brasil, gerando boicote e quebrado as exportações de carne e soja do agronegócio. Até setores do agronegócio estão vendo o monstro que eles próprios pariram", afirma à Sputnik o deputado estadual e ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc. 

    O ex-ministro diz que na assinatura de criação do Fundo Amazônia, em 2008, um representante da Noruega afirmou a ele que a iniciativa era um "seguro de vida" da população do país europeu. "A Noruega é um pequeno país perto da Groelândia. Quando aquilo derreter, eles vão ser um dos que vão submergir", diz Minc.

    Além das críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), os manifestantes na Cinelândia também pediram o afastamento de Salles e entoaram o grito "Amazônia sim, ele não".

    "Conheço Bolsonaro desde 1989, quando ele iniciou a vida pública, e eu também, como vereador do Rio de Janeiro, ele sempre teve absoluto desprezo pelas questões ambientais, sempre considerou isso como frescura ou coisa de comunista, e não mudou", diz à Sputnik Brasil o ex-deputado federal Chico Alencar (PSOL), que também participou do ato.

    Primeiro indígena a entrar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) pelo sistema de cotas, Michael Baré Tikuna diz que o presidente tem o "mesmo discurso de 1500, é um discurso ideológico do colonizador escravista, desde 1500 estamos passando por vários 'Bolsonaros' até chegar ao de hoje".

    A autônoma Priscila de Mello não estava na Cinelândia para protestar contra a política ambiental de Bolsonaro, mas para vender bebidas. Ela está desempregada há 3 anos e diz que as queimadas na Amazônia são movidas exclusivamente pelo dinheiro: "existem povos lá, isso não está sendo levado em consideração".

    • Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.
      Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.
      © Sputnik / Thales Schmidt
    • Cartazes da manifestação em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
      Cartazes da manifestação em defesa da Amazônia no Rio de Janeiro.
      © Sputnik / Thales Schmidt
    • Protesto em Paris contra os incêndios florestais na Amazônia
      © REUTERS / CHARLES PLATIAU
    • Vegetação em chamas na floresta Amazônica
      Vegetação em chamas na floresta Amazônica
      © AP Photo / Dario Lopez-Mills
    • Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
      Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
      © REUTERS / Adriano Machado
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    Manifestação na Cinelândia em defesa da Amazônia.

    Repercussão internacional

    Os incêndios na Amazônia serão assunto neste final de semana em Biarritz. A pequena cidade francesa receberá a cúpula do G7 e os líderes de quatro países participantes já falaram sobre o assunto. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou em nota que "Bolsonaro mentiu para ele durante a cúpula [do G20] de Osaka" e que o presidente brasileiro "decidiu não respeitar seus compromissos com a mudança climática nem agir na questão da biodiversidade."

    A Alemanha disse que "a magnitude dos incêndios é preocupante", o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, classificou o fogo na floresta como uma "crise internacional" e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou que "precisamos agir pelo nosso planeta".

    Bolsonaro, que já acusou, sem provas, as Organizações não Governamentais (ONGs) de serem responsáveis pelos incêndios, disse que a discussão da Amazônia no G7 " sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI".

    O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército brasileiro e atualmente assessor do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), questionou a "autoridade moral" da França em falar sobre a Amazônia e citou uma frase atribuída ao líder comunista do Vietnã Ho Chi Minh que acusa os franceses de serem a pátria do Iluminismo, "mas quando viaja se esquece de levá-lo consigo".

    Donald Trump saiu em socorro do aliado e disse que conversou com Bolsonaro e que "os Estados Unidos podem ajudar com os incêndios na floresta Amazônica".

    A fumaça já foi vista do espaço por satélites da NASA e forçou um voo da LATAM vindo de Brasília a mudar seu destino porque a fumaça das queimadas impediu seu pouso na capital de Rondônia, Porto Velho. 

    Com a pressão internacional e o acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia posto em cheque pelo fogo na Amazônia, Bolsonaro assinou decreto para utilizar as Forças Armadas por meio de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter os incêndios.

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    Tags:
    Ricardo Salles, Jair Bolsonaro
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