23:13 21 Novembro 2019
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    Texto da reforma da Previdência é apresentado no Congresso Nacional

    Economista sobre redução do crescimento no Brasil: 'Previdência está na raiz do problema'

    Luis Macedo / Agência Brasil
    Brasil
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    A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) voltou a reduzir a previsão de crescimento do Brasil para 2019, desta vez para 1,4%, menos da metade dos 3,4% previstos para a média mundial. Segundo especialista ouvida pela Sputnik, reformas estruturais serão condição essencial para evitar estagnação da economia.

    O estudo Perspectivas Econômicas da OCDE previa em março o crescimento de 1,9%, valor que já era menor que o esperado em novembro do ano passado, quando a organização projetou 2,1% para o Brasil. De acordo com a especialista em macroeconomia e professora da Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da UFRJ (Coppead), Margarida Gutierrez, o relatório é um indício da urgência das reformas estruturais na economia brasileira.

    Gutierrez diz que o país passa por "um problema fiscal gravíssimo, com uma dívida pública em relação ao PIB que já é a 3ª maior do mundo entre países emergentes", só atrás de Egito e Angola. A professora conta ainda que a tendência é que o Brasil passe a liderar a lista já a partir deste ano, com uma perspectiva de significativa piora nos indicadores macroeconômicos.

    "A previdência está na raiz destes problemas, mas fora a reforma desta, há várias outras que precisam ser feitas e dizem respeito à agenda do crescimento da economia, como a [reforma] tributária. A [reforma] da previdência é condição necessária — não suficiente —, mas essencial para a recuperação da economia. Do contrário, entraremos em um processo de desaceleração brutal e chegaremos a uma recessão", prevê Margarida.

    Mesmo assim, a professora não acredita que a aprovação do projeto enviado pelo governo Bolsonaro ao Congresso signifique imediata recuperação do mercado do trabalho. Ela explica que há uma defasagem de resposta entre as duas variáveis.

    "O mercado de trabalho é o último a entrar na crise e o último a sair. Isso acontece porque existem custos ao se demitir e também para contratar. O empresário espera até o último momento para saber se deve investir, até ter mais certeza que a recuperação da economia vem para ficar", analisa.

    Crescimento mundial deve cair

    Margarida avalia ainda que o Brasil precisa correr se quiser passar sem grandes dificuldades por um período de desaceleralação da economia mundial. Embora não preveja uma queda tão substantiva quanto "a catástrofe internacional de 2008", a professora diz que já é possível notar a desaceleração na zona do euro, na Inglaterra, no Japão e na China. 

    "Na zona do euro, as perspectivas de crescimento não são animadoras, com taxas de crescimento populacional baixa e por vezes negativa. Temos alto grau de endividamento entre os agentes econômicos, principalmente os governos de países periféricos. O Japão tem uma estagnação singular que vem desde o final dos anos 80, com perspectivas de consumo baixas", conta. 

    Mesmo com significativa melhora nos indicadores e quebra de recordes, o boom da economia americana também pode estar dando sinal de esgotamento na visão da professora. "Eles vêm batendo no pleno emprego no mercado de trabalho, o que por si só já indica sinais de recessão, já que faltará de mão de obra e isso causará crescimento dos salários".

    A nível mundial, a ameaça premente é a guerra comercial iniciada por Trump contra a China que já começa a dar sinais mais concretos em todas as regiões.

    "Isso está criando dificuldades de transação no mundo, tirando pontos no crescimento do PIB mundial, algo como 0,7%. Em ambientes de incerteza, o apetite por títulos de risco diminui, então a liquidez de capitais para países emergentes como o Brasil cai bastante. As taxas de câmbio ficam mais pressionadas, o crédito fica menor, os fluxos de comércio também", finaliza.

    Tags:
    guerra comercial, reforma da previdência, reforma tributária, crescimento econômico, Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da UFRJ (Coppead), Zona do Euro, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Margarida Gutierrez, Estados Unidos, China, Japão, Brasil
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