08:19 22 Agosto 2017
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    Imigrantes venezuelanos em Roraima, no Norte do Brasil (arquivo)

    ACNUR: Brasil tem que aproveitar bagagem cultural e profissional dos refugiados

    Schneyder Mendoza/AFP
    Brasil
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    O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Brasil, Luiz Fernando Godinho, comentou, em entrevista à Sputnik, as oportunidades que o Brasil vem oferecendo para esses imigrantes, sobretudo na área educacional, destacando o quanto as duas partes têm a ganhar.

    Recentemente, a Universidade Federal do ABC (UFABC), na Região Metropolitana de São Paulo, anunciou a abertura de 12 vagas em cursos de graduação reservadas a refugiados e a solicitantes de refúgio a partir do próximo ano, nas áreas de Ciência e Tecnologia e Ciências e Humanidades. A medida faz parte dos esforços dessa e de outras instituições para acolher principalmente os migrantes em situação de vulnerabilidade socieconômica que têm, ao mesmo tempo, muito a oferecer em troca.

    De acordo com Godinho, muitos dos refugiados que chegam ao Brasil já têm um histórico escolar bastante avançado, mas também há grupos que, infelizmente, tiveram que interromper os estudos em seus países por conta de adversidades diversas e também os que buscam uma formação profissional aqui. Independente do nível educacional de cada um, ele acredita que o acesso ao ensino, como um todo, tem uma importância muito grande no fortalecimento e na consolidação do processo de integração dos estrangeiros que chegam ao país.

    "Essa iniciativa da UFABC se insere dentro de uma iniciativa maior, que é a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, promovida pelo ACNUR aqui no Brasil e que reúne mais de uma dezena de universidades em diferentes partes do país", explica o porta-voz do órgão da ONU, acrescentando que há variadas formas de abordagem e de oportunidade para os refugiados dentro desse programa. "Isso tudo leva a uma troca de informações que é muito importante para os refugiados e para o Brasil como um todo, porque sabemos que eles vêm com uma bagagem cultural e profissional muito grande. E isso tem que ser aproveitado aqui no Brasil também". 

    A Cátedra Sérgio Vieira de Mello, segundo Godinho, se baseia em três pilares: pesquisa, ensino e extensão. A instituição que tem interesse em fazer parte dessa iniciativa procura o ACNUR e apresenta um plano de trabalho, que, se aprovado, a qualificará para a cátedra.

    "Hoje, já são mais de 6 mil alunos que estão, de uma maneira ou de outra, envolvidos com esse tema de refúgio, por força da vinculação das universidades à Cátedra Sérgio Vieira de Mello."

    No caso da UFABC, que tem convênio com o Alto Comissariado desde 2014, os interessados em concorrer a uma dessas vagas destinadas a refugiados precisam validar seus diplomas de ensino médio no Brasil e realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Tanto aqueles que já gozam da condição de refugiado como aqueles que solicitaram refúgio e ainda não receberam uma resposta podem concorrer. Os cursos oferecidos são interdisciplinares, com uma grade geral nos dois primeiros anos seguida de estudos em áreas específicas. Para os que tiverem problema com o idioma, o ACNUR, através de organizações parceiras, oferece cursos de português.

    "O Brasil é visto, tanto pelos refugiados como por nós que trabalhamos com o tema, como um país em que essas pessoas podem estabelecer novas raízes e reconstruir suas vidas de uma maneira muito mais digna. Então, todos os esforços são feitos para promover essa integração e essa autossustentabilidade aqui no país", conclui Luiz Fernando Godinho.

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    Tags:
    refugiados, UFABC, ONU, ACNUR, Sérgio Vieira de Mello, Luiz Fernando Godinho, ABC, São Paulo, Brasil
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