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    Em fevereiro de 2017, o Brasil já tinha 8.950 mil refugiados. Desse total 2.480 são sírios, homens, mulheres e crianças que foram forçados a deixar seu país ao longo de seis anos de guerra na Síria, mas que veem no Brasil uma oportunidade de recomeço, mesmo que o país também esteja em uma grande onda de violência urbana.

    Manifestação nas areias de Copacabana para denunciar mortes por causas violentas
    Vladimir Platonow/Arquivo Agência Brasil
    Segundo a 10ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública lançado em outubro de 2016, o Brasil registrou mais mortes violentas de 2011 a 2015 do que a guerra na Síria. Neste período, foram 278 mil casos de homicídios doloso, latrocínios, lesão corporal seguido de mortes, entre outros crimes. No entanto, desde 2011, quando começou a guerra na Síria os pedidos de refúgio de sírios com alguma ligação com o Brasil só crescem. 

    Em entrevista exclusiva para a Spuntik Brasil, o Arqueólogo sírio, nascido em Damasco, e radicado no Brasil, Ahmad Serieh, que já está morando em São Paulo há quase 8 anos acredita que a fuga dos sírios para o Brasil se dá muito pela facilidade de se conseguir visto.

    "É muito fácil entrar no Brasil. Para outro país da Europa, como Alemanha ou França é muito difícil o visto para o sírio. A maioria de sírios no Brasil tem família aqui, porque há muitos imigrantes sírios e libaneses e muitos tem tios, tias aqui e os ajudam."

    Ahmad veio para o Brasil explorar sítios arquelógicos e aplicar aqui os seus conhecimentos do curso de doutorado realizado na Universidade de Varsóvia, na Polônia, mas ao se estabelecer em São Paulo e conhecer melhor o Brasil, o sírio mudou os planos e a permanência no Brasil, que seria inicialmente provisória, se tornou definitiva.

    O antropólogo sírio diz que os brasileiros recebem muito bem o refugiado, mas o governo precisa dar mais apoio quanto a trabalho, saúde e escola
    Arquivo Pessoal/Facebook
    O antropólogo sírio diz que os brasileiros recebem muito bem o refugiado, mas o governo precisa dar mais apoio quanto a trabalho, saúde e escola

    Mesmo com a violência diária estampada no Brasil, Ahmad diz que nunca se arrependeu ou teve medo de ficar morando aqui.

    "Não tenho medo de morar no Brasil. Cada país tem o seu problema e o Brasil não tem grandes problemas. Durante oito anos eu nunca sofri violência, moro em paz, nunca fui roubado. Eu acho o Brasil um país muito bom para os sírios virem morar aqui. Todos os sírios que estão aqui, gostam de morar aqui. Todos trabalham, abrem restaurantes, há muitos técnicos, engenheiros e médicos. Eu tenho contato com muitos sírios e ninguém tem problemas aqui, todos vivem felizes aqui em São Paulo ou Curitiba."

    Além de ministrar aulas e palestras sobre Arqueologia em instituições universitárias, Ahmad Serieh em 2010 chegou a abriu em São Paulo o Centro Cultural Árabe Sírio, que funcionou durante cinco anos e atualmente ele se dedica ao Instituto Bibliaspa, que é a Biblioteca e o Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes – África. Neste Centro, os refugiados e migrantes são recebidos,  aprendem a língua portuguesa e recebem orientação e auxílio para  se adaptem mais rapidamente ao Brasil.

    Ahmad no Bibliaspa, que é a Biblioteca e o Centro de Pesquisa América do Sul, Países Árabes e África, em São Paulo, onde dá aulas de inglês e árabe
    Arquivo Pessoal/Facebook
    Ahmad no Bibliaspa, que é a Biblioteca e o Centro de Pesquisa América do Sul, Países Árabes e África, em São Paulo, onde dá aulas de inglês e árabe

    Segundo o arqueólogo, cada vez mais a sociedade brasileira acolhe melhor os refugiados.

    "Cada vez muito melhor. O brasileiro recebe o refugiado muito bem, o sentimento é como se estivesse em casa."

    No entanto, as dificuldades ainda existem para os refugiados que estão tentando recomeçar suas vidas no Brasil. Ahmad destaca a falta de uma maior atenção por parte do governo em oferecer opção de trabalho. "No início há a dificuldade para encontrar trabalho, dificuldade com a língua portuguesa e encontrar uma escola para aprender o português. Essa é a dificuldade para as crianças também, mas depois de um ano todo mundo se acostuma a viver no Brasil. O governo brasileiro só precisa ajudar mais o refugiado a encontrar trabalho, oferecer assistência de saúde e uma boa escola. É só o que o refugiado quer."

    Tags:
    Brasil, Síria, São Paulo, Ahmad Serieh, Instituto Bibliaspa, guerra, refugiados, mortes, violência, assistência, índices, lar
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