21:29 22 Agosto 2019
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    FMI predio

    Pedido de manutenção de juros altos é análise exagerada do FMI, diz professor da FGV

    Karen Bleier/AFP
    Brasil
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    Repercutindo o relatório anual do Fundo sobre o Brasil, o professor Robson Gonçalves disse ainda que manter a Selic alta no país "não é cautela, é burrice".

    O mestre em Economia pela Unicamp e professor da Fundação Getúlio Vargas, Robson Gonçalves criticou o pedido de manutenção de taxas altas de juros, feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório anual sobre o Brasil divulgado ontem. Projetando recuperação gradual da crise que assola o país, o FMI recomendou que a Selic permaneça mais alta até que o ajuste fiscal e as PECs dos gastos e da Previdência sejam aprovadas no Congresso Nacional.

    "No regime de metas de inflação adotado aqui, a trajetória da taxa de juros é ditada pelo comportamento inflacionário. A inflação está passando por um período de recuo significativo e, na medida em que convergir para a meta de 4,5%, a taxa de juros deve ser reduzida e tem que ser reduzida. Qualquer análise que proponha uma manutenção de taxa de juro muito alta é exagerada e descolada dos fundamentos do regime de metas de inflação", defendeu o economista.

    Para o professor, o Conselho de Política Monetária (Copom) — que define a fixação da taxa — deve se manter nas correções no campo fiscal e não no campo monetário, destacando ainda que "manter taxas de juros elevadas nesse contexto não é cautela, é burrice".

    Efeito Trump

    Robson disse ainda que, mesmo com o relatório tendo sido fechado antes da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, as condições macroeconômicas não devem mudar substancialmente a ponto de invalidar a análise do FMI.

    Para o economista, a sacudida sentida nas economias de países emergentes tem mais relação com especulação. "O mundo vive um período de taxas de juros negativas tanto na Europa quanto no Japão e mesmo a eleição do Trump não vai reverter essa onda de liquidez internacional, pelo contrário", acredita.

    O professor descartou ainda a possibilidade de interferência ativa do FMI por enquanto, já que o Brasil possui reservas internacionais significativas para passar por turbulências econômicas no mercado internacional.

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    Tags:
    Fundo Monetário Internacional, Copom, Banco Central do Brasil, Robson Gonçalves, Donald Trump, Brasil
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