09:39 15 Maio 2021
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    Em abril do ano passado, o major-general Adam Findlay advertiu, em privado, suas tropas para se prepararem para um possível conflito com a China, reportaram veículos de imprensa australianos.

    Conforme indica o South China Morning Post, o major-general teria se referido ao gigante asiático, e maior parceiro comercial, como a maior ameaça para a região. Findlay, que servia como comandante de Operações Especiais no Exército australiano quando deu a ordem, conta que Pequim tem competido com Camberra na "zona cinzenta", de modo a alcançar seus objetivos.

    Por "zona cinzenta", em contexto de guerra, entende-se um conjunto de ações ofensivas nos campos de ciberataques, coleta de inteligência, e imposição de sanções comerciais – geralmente antecedentes à ação militar.

    A informação referente aos comentários do major-general australiano vem à tona após duas figuras governamentais sêniores colocarem a possibilidade de a Austrália se envolver em um conflito militar regional.

    No mês passado, o ministro da Defesa australiano, Peter Dutton, afirmou que a Austrália deveria ser "realista" no que toca aos objetivos da China, "não devendo ser descartado" um possível confronto militar por Taiwan, que Pequim considera parte de seu território, citado pela mídia chinesa. Porém, Camberra trabalhará para tentar manter a paz regional em parceria com aliados.

    John Blaxland, oficial aposentado da inteligência australiana e professor do Centro de Estudos Estratégicos e de Defesa da Universidade Nacional da Austrália, acredita que Findlay não vazou a informação intencionalmente, pois seria um comentário comum em ambiente militar. Na verdade, Blaxland suspeita que este vazamento de informação tenha sido responsabilidade de alguém próximo a Dutton, para provar que não seria apenas o último a ter uma opinião semelhante.

    Hugh White, oficial aposentado de Defesa sênior e conselheiro do premiê australiano, opina que as entidades governamentais australianas seriam irresponsáveis em "tomar os riscos de uma guerra", citado pelo South China Morning Post.

    "Devemos presumir que eles [autoridades governamentais] estão encorajando o povo a esperar que a Austrália se junte aos EUA em uma guerra contra a China, caso seja necessário para preservar as 'regras da ordem mundial'. Porém, isso reflete uma complacência alarmante sobre o que seria uma guerra com a China, quem ganharia, e quais as consequências para a Austrália", comentou White, citado na matéria.

    Camberra tem investido e muito no fortalecimento militar, tendo anunciado no mês passado a modernização de bases militares e expansão de exercícios conjuntos com os Estados Unidos. Ainda assim, é necessário o debate público para que se perceba quais as necessidades securitárias da Austrália em meio à contínua influência de Washington na região do Indo-Pacífico, segundo Sam Roggeveen, diretor do Programa de Segurança Internacional no Instituto Lowy, em Sydney, referido pela mídia chinesa.

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    Tags:
    guerra, tensão geopolítica, Indo-Pacífico, China, Austrália
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