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    A China, como grande consumidor de soja, fechou acordo para importar soja da Tanzânia. Será que o Brasil pode perder seu maior comprador de soja devido ao acordo de importação entre a China e a Tanzânia?

    Em 26 de outubro a China fechou um acordo para importar soja da Tanzânia, cumprindo parte da promessa de Pequim de apoiar as nações africanas feita durante o Fórum de Cooperação China-África em 2018.

    Pequim pretende reduzir a dependência chinesa dos principais produtores de soja no mundo: Brasil e Estados Unidos. Cerca de 75% das importações de soja vêm do Brasil.

    A Tanzânia não é o primeiro país africano que exporta soja à China, o primeiro é a Etiópia, explicou em entrevista à Sputnik China Liu Qinghai, diretor do Instituto da Economia Africana da Universidade de Zhejiang, China.

    A China e a Tanzânia começaram a falar da importação de soja há 10 anos, mas o processo não é rápido, afirmou Liu Qinghai.

    "Este processo não é rápido. Primeiro é preciso negociar, depois fazer a inspeção e controle fitossanitário, e finalmente assinar um acordo ao nível do Ministério da Agricultura. Mas mesmo depois de assinar o acordo são precisos entre dois e três anos para começar oficialmente a importação", comentou.

    Liu Qinghai destacou duas razões para esta decisão de Pequim. Primeiro, a China quer aumentar a diversificação de fontes de importação de soja. Cerca de 75% da soja importada à China vem do Brasil e cerca de 12% vem dos EUA. Portanto, 87% da soja importada à China provem do Brasil e dos EUA, segundo especialista.

    "Por isso, agora queremos diversificar o mercado de importação de soja para reduzir a dependência de fornecedores concretos e aumentar a quantidade de 'rotas alternativas'", disse Liu Qinghai.

    Em segundo lugar, os países da África Oriental, tais como a Tanzânia, não dispõem de muitos recursos minerais próprios. O capital estrangeiro entra no país por meio de exportação dos produtos agrícolas. O aumento de exportação à China contribuirá para o desenvolvimento da Tanzânia.

    "Sua agricultura pode diminuir a pobreza no país e aumentar a entrada de divisas. Este acordo será vantajoso tanto para a China como para Tanzânia", afirmou Liu Qinghai.

    Plantação de soja.
    Agência Estado / Celso Junior
    Plantação de soja.
    O diretor concordou que, devido ao baixo nível de produção de soja na África, a importação daí não terá atualmente um grande impacto. Isso tem muitas causas, como a insuficiência de tecnologia, variedade dos produtos, equipamento, infraestrutura e logística pouco desenvolvida, comentou.

    "Quando um produto como a soja é importado, não se trata de algumas toneladas, mas de centenas de milhares de toneladas. Por isso, suas tecnologias, logística, como os portos, por exemplo, não devem ficar atrás do volume de exportação", disse.

    A importação de soja da África também tem vantagens. Seus produtos não contêm organismos geneticamente modificados (OMG) e têm grande potencial para desenvolvimento. Como a África é um continente tropical, a terra e o clima servem para o cultivo de soja. O continente dispõe de muitos territórios que têm de ser cultivados, destacou Liu Qinghai.

    Atualmente os países africanos não têm mão de obra suficiente e logística desenvolvida para serem fornecedores de soja à China. Mas com esforços e cooperação de ambos os lados, esse potencial pode ser realizado, sublinhou.

    "A Tanzânia também tem possibilidade de pressionar o Brasil e os EUA no futuro. No entanto, atualmente a Tanzânia não tem força suficiente para isso, mas com determinados esforços e com a vontade de cooperar de ambos os países é possível mudar tudo e realizar esse potencial", segundo especialista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    eua, importação, economia, soja, África, Tanzânia, Brasil, China
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