17:23 27 Outubro 2020
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    A acusação aconteceu após 12 cidadãos tentarem no dia 23 de agosto chegar de lancha a Taiwan, considerada por Pequim uma província rebelde. Mas assim que entraram em águas territoriais da China, eles foram abordados por navio da guarda costeira.

    Os ativistas liderados pelo estudante Joshua Wong, ex-secretário-geral do agora extinto partido Demosisto, disseram que o governo de Hong Kong monitorava os movimentos deles, que sabia da fuga e, deliberadamente, permitiu que os fugitivos só fossem detidos em águas chinesas para enfrentar punições mais duras, informou a CNN.

    "Estou chocado e horrorizado quando o governo de Hong Kong claramente conspira com as autoridades chinesas para colocar os ativistas em perigo e em assuntos claramente dentro de sua jurisdição", disse Wong em uma declaração por escrito.

    Em um comunicado de imprensa ontem (8), um grupo representando as famílias dos fugitivos acusou o governo de conspiração para entregar seus parentes à China e pediu a sua libertação imediata.

    Um protesto do lado de fora da sede do Serviço Aéreo do Governo (GFS) foi logo controlado pela polícia que acusou os manifestantes de quebrar o protocolo contra o coronavírus.

    Mas a imprensa também levantou dúvidas sobre a ação do governo durante a tentativa fuga do dia 23 de agosto.

    O jornal local Apple Daily se baseou em dados de aplicativo de monitoramento de voos, como o FlightAware, para informar que pouco antes da saída da lancha da vila pesqueira de Pol Toi O, um avião do Serviço Aéreo do Governo (GFS) sobrevoou por quatro horas a mesma região. E, em seguida, a aeronave mudou de curso numa rota muito parecida com a da embarcação, a mesma divulgada pelo governo.

    Além disso, o navio da Marinha chinesa abordou a lancha uma hora depois de o avião retornar à base. E, de acordo com o Serviço Aéreo do Governo, o Bombardier Challenger 605, usado no voo, é equipado para vigilância e fotografia aérea, além de ser apto para busca e resgate.

    A maioria dos 12 fugitivos estava sob fiança ou respondia a processo por participação nos protestos do ano passado nesta região administrativa especial chinesa e ex-colônia britânica. Todos estão detidos na China e podem enfrentar processos com base em leis de segurança nacional.

    Hong Kong tem seu próprio sistema judicial previsto para resguardar até 2047 a autonomia limitada da região e nele há proteções de direitos humanos.

    Mas ano passado, Pequim impôs uma legislação que previa extradição e julgamento na China para quem desafiasse as leis do território. A reação veio com meses de protestos em massa.

    Manifestantes  repelem tubos de gás lacrimogênito durante protestos em Hong Kong
    © AP Photo / Vincent Thian
    Manifestantes repelem tubos de gás lacrimogênito durante protestos em Hong Kong

    Em junho de 2020, o governo chinês voltou à carga com uma lei de segurança nacional que criminaliza subversão, conspiração e tentativa de separação.

    Carrie Lam, a chefe do executivo de Hong Kong, negou que o governo soubesse da fuga e que a monitorava. Ela disse que o grupo "escolheu fugir e que durante a tentativa ele entrou em jurisdição alheia e cometeu um crime. E é preciso enfrentar as consequências. É simples e direto assim".

    Tags:
    Mar da China, China, Estreito de Taiwan, Taiwan, Xi Jinping, Pequim, Marinha chinesa, Hong Kong
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