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    Para garantir sua sobrevivência diante das sanções impostas por Washington, Huawei mudou seu foco para a computação em nuvem, com a qual a empresa ainda pode acessar os chips norte-americanos.

    Embora seu negócio de computação na nuvem esteja muito atrás do dos líderes de mercado chineses Alibaba e Tencent, a Huawei está crescendo rapidamente neste setor apesar das sanções dos EUA, escreve o jornal Financial Times.

    Em janeiro de 2020, a Huawei combinou as condições dessa unidade com as de suas equipes especializadas na produção de smartphones e telecomunicações. De fato, em 2019, a venda de celulares trouxe à empresa chinesa uma receita total de US$ 122 bilhões (R$ 657,9 bilhões).

    A computação em nuvem foi fundamental para que a Huawei estabilizasse a situação no mercado da China. Isso foi em parte graças à ajuda fornecida por Pequim, que apoiou cada vez mais a empresa através da adjudicação de contratos públicos nesta área, afirmou ao jornal um representante de um fornecedor chinês da Huawei que preferiu anonimato.

    "Continuaremos fornecendo aos clientes um pacote de produtos e serviços [na nuvem]. A qualidade dos chips [desta tecnologia] pode não ser tão boa quanto antes, mas ofereceremos algo de maior qualidade para os outros produtos que não são afetados, e os clientes podem aceitar isso", disse outra fonte da Huawei.

    A mudança de estratégia teria sido necessária porque a unidade especializada da Huawei que produzia smartphones e outros produtos de consumo havia sido proibida pelos EUA de acessar os chips.

    Ao mesmo tempo, os fornecedores de semicondutores usados para computação em nuvem ainda poderiam enviar suas tecnologias para a Huawei.

    Contornando restrições de chips

    Após o Departamento de Comércio dos EUA em 2019 ter acrescentado o gigante tecnológico asiático a uma lista negra de empresas com as quais as empresas norte-americanas estavam proibidas de fazer negócios, muitos fabricantes de alta tecnologia dos EUA solicitaram licenças temporárias para isentá-los da proibição.

    Essas autorizações continuaram em vigor mesmo depois que Washington adotou outra medida em agosto de 2020 que proibia a venda à Huawei de qualquer chip projetado, ou fabricado, com a ajuda de tecnologia, ou equipamento, dos EUA.

    "A regra não tem efeito sobre as licenças emitidas antes de 17 de agosto", relatou um funcionário do Departamento de Comércio.

    A Huawei poderia usar unidades centrais de processamento produzidas pela Intel, que ainda estão disponíveis no mercado, para substituir seus processadores Kunpeng e Ascend. Essas unidades de hardware, desenvolvidas pela empresa chinesa com base nos projetos da empresa britânica ARM, não podem mais ser fabricadas devido ao recente veto.

    Outras peças, incluindo circuitos integrados de gerenciamento de energia e chips de memória, poderiam ser obtidas pela Huawei com a ajuda de outros varejistas.

    "Canais como o WPG [maior distribuidor de semicondutores da Ásia] as oferecem. Não creio que estas transações possam ser monitoradas [por Washington] a ponto de impedir as vendas a um cliente final, como Huawei", afirmou YC Yao, analista da empresa de pesquisa Trendforce.

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    Tags:
    China, EUA, Huawei, Alibaba, Tencent, Financial Times
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