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    Kim Jong-un, líder norte-coreano observa treinamentos do Exército Popular da Coreia, 13 de abril de 2017

    Especialista russo: é muito perigoso subestimar a Coreia do Norte

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    Ultimamente se tem observado um agravamento do confronto na Península da Coreia. O presidente estadunidense afirmou que, caso a Coreia do Norte represente uma ameaça aos EUA, ele responderá com "fogo e fúria". Logo depois, a ACNC comunicou que a Coreia do Norte está elaborando um plano para lançamento de quatro mísseis à ilha de Guam (EUA).

    Há especialistas que qualificam as declarações norte-coreanas como blefe. Contudo, em entrevista à Sputnik China, o especialista militar russo, Vasily Kashin, apelou a que não se simplifique a situação e não se ignore o potencial industrial e militar da Coreia do Norte.

    Os êxitos nucleares da Coreia do Norte são um fenômeno completamente inesperado e surpreendente até para muitos especialistas em política asiática. Durante muitos anos, segundo o ponto de vista comum, a Coreia do Norte era um país pobre com um nível de desenvolvimento econômico baixo, investindo todos os recursos apenas nos mísseis e armas nucleares.

    Essa imagem não previa uma atitude séria perante o potencial norte-coreano, mesmo na área nuclear. Até agora, muitos especialistas e jornalistas, analisando informações sobre mais um teste de um míssil da Coreia do Norte, começam investigando como os norte-coreanos conseguiram comprar ou roubar tecnologias. Na verdade, as possibilidades de Pyongyang no campo militar e tecnológico são muito maiores do que dizem até os especialistas.

    As estimativas do nível de desenvolvimento geral da Coreia do Norte são baseadas geralmente em dados sobre o nível de vida da população do país. Apesar do crescimento econômico significativo que foi registrado desde meados de 2000, a qualidade de vida dos norte-coreanos permanece muito baixo. Mas esse fato não determina o nível de desenvolvimento da indústria do país, da sua ciência ou educação. Os exemplos da União Soviética e dos países do Leste Europeu revelam que estes foram capazes de destinar a essas áreas um volume enorme de recursos e atingir resultados incríveis.

    O que sabemos nós sobre a indústria norte-coreana? Se olharmos primeiro para a indústria civil, sabemos que a Coreia do Norte é capaz de fabricar máquinas com controle digital computadorizado, mantendo e aperfeiçoando as tecnologias que a União Soviética lhe forneceu nos anos 80. A Coreia do Norte produz de forma autônoma automóveis e caminhões, equipamento agrícola, material rolante ferroviário, tipos simples de navios de mar (de transporte e de pesca) e equipamento para usinas hidroelétricas e termelétricas.

    A Coreia do Norte é capaz de desenvolver e produzir aparelhos eletrônicos de consumo (celulares, laptops, computadores e assim por diante) a partir de peças importadas e possui sua própria produção, pequena e relativamente primitiva, de componentes eletrônicos que permite satisfazer parcialmente as necessidades quanto à eletrônica industrial e militar. A Coreia do Norte é capaz de fabricar autonomamente aviões leves e realizar a manutenção completa de aviões importados. No campo das tecnologias da informação, os norte-coreanos elaboraram um sistema operacional com base no Android e também uma grande quantidade de aplicativos para celulares. Na sua própria rede, separada da Internet, eles têm redes sociais, jogos on-line multiusuários e lojas on-line, criadas e sustentadas com recursos próprios.

    Avaliando as possibilidades da Coreia do Norte quanto ao desenvolvimento do seu potencial industrial, ciências técnicas e educação, o país deve ser considerado como um Estado que corresponde mais ou menos ao nível dos países do antigo campo socialista do Leste Europeu no fim dos anos 80. Em termos de potencial cientifico e industrial, a Coreia do Norte é comparável com a Romênia ou Polônia daquela época.

    Se falarmos da indústria militar da Coreia do Norte, é preciso ressaltar que ela produz autonomamente mísseis antiaéreos, tanques, veículos blindados de transporte de pessoal, mísseis antitanque e sistemas de artilharia. Os norte-coreanos aprenderam a produzir radares, submarinos, mísseis de cruzeiro antinavio, todos os tipos de armas ligeiras, meios de comunicação e dispositivos de visão noturna.

    Assim, os êxitos da Coreia do Norte quanto a mísseis parecem ser lógicos, tomando em conta o nível geral de desenvolvimento industrial do país. Desenvolvendo seus mísseis balísticos de alcance intermediário e intercontinentais, os norte-coreanos resolvem tarefas que a União Soviética e os EUA resolviam nos anos 50-60. Os computadores e máquinas que estão disponíveis no mercado aberto são muito mais avançados que os modelos que os russos e norte-americanos usavam há meio século. Os especialistas da Coreia do Norte podem estar usando um volume enorme de publicações abertas sobre projetos do passado no campo de mísseis, bem como obter informações através de canais de inteligência que operam em países fracos e instáveis, como a Ucrânia.

    Com sua própria escola de formação de engenheiros e operários qualificados, os norte-coreanos, obviamente, são capazes de resolver tarefas importantes quanto à realização do programa nuclear. O país deve estar exagerando seus êxitos na criação de mísseis balísticos intercontinentais, mas depois de terminar os testes de modelos correntes, a Coreia do Norte vai alcançar o nível da União Soviética do final dos 60. Tais avanços não parecem ser fantásticos de ponto de vista tecnológico. As limitações que os norte-coreanos enfrentam são apenas de recursos.

    Assim, subestimar as capacidades militares da Coreia do Norte apenas desorienta a opinião pública. Essa visão é parcialmente o resultado da longa propaganda contra a Coreia do Norte que difundiam seus inimigos políticos. Ela também está ligada à incompreensão das especificidades do desenvolvimento das economias de modelo soviético e seus sistemas industriais.

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    Tags:
    tensões, tecnologias, agravamento, mísseis balísticos, Vasily Kashin, Coreia do Norte
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