17:02 31 Julho 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    1220
    Nos siga no

    Decisão foi anunciada nesta quarta-feira (7) horas após a morte do presidente Jovenel Moïse, que teria sido assassinado em casa por um grupo de indivíduos não identificados.

    O primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, comunicou nesta quarta-feira (7) que um grupo de pessoas não identificadas atacaram a residência privada do presidente do Haiti, que foi baleado mortalmente. A primeira-dama também foi ferida, tendo sido internada. Claude Joseph acrescentou que os assassinos de Jovenel Moïse falavam inglês e espanhol.

    "Em estrita aplicação do artigo 149 da Constituição, acabo de presidir uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros e decidimos declarar o estado de sítio em todo o país", disse o primeiro-ministro, citado pela agência AFP.

    Claude Joseph caracterizou o ataque "hediondo, desumano e bárbaro" e apelou à calma.

    "A situação de segurança no país está sob o controle da Polícia Nacional Haitiana e das Forças Armadas Haitianas. Todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do Estado e para proteger a Nação", lê-se no comunicado divulgado nesta quarta-feira (7).

    Presidente do Haiti, Jovenel Moïse, fala durante coletiva de imprensa no Palácio Nacional em Porto Príncipe, capital do país, 2 de março de 2020
    © REUTERS / Andres Martinez Casares
    Presidente do Haiti, Jovenel Moïse, fala durante coletiva de imprensa no Palácio Nacional em Porto Príncipe, capital do país, 2 de março de 2020

    Perplexidade ao redor do mundo

    O Conselho de Segurança da ONU está chocado com o assassinato, disse a representante permanente da Irlanda nas Nações Unidas, Geraldine Byrne Nason, nesta quarta-feira (7). "É muito, muito triste ver o presidente do Haiti assassinado", disse Byrne Nason.

    O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, condenou o assassinato e pediu que os responsáveis fossem levados à justiça. "O secretário-geral apela a todos os haitianos para que preservem a ordem constitucional, permaneçam unidos em face deste ato abominável e rejeitem toda a violência [...]. As Nações Unidas continuarão a apoiar o governo e o povo do Haiti", disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, segundo a agência Reuters.

    O presidente colombiano, Iván Duque, citado pela agência AP, condenou o que chamou de "ato covarde" e expressou solidariedade ao Haiti. Ele pediu uma missão urgente da Organização dos Estados Americanos (OEA) "para proteger a ordem democrática".

    A OEA, por sua vez, condenou "nos mais veementes termos o assassinato do presidente do Haiti", afirmando que o ataque "é uma afronta a toda a comunidade de nações democráticas representadas na OEA".

    "Deploramos veementemente esta tentativa de minar a estabilidade institucional do país [...]. Rechaçamos este ato abjeto. Os desacordo e dissidência fazem parte de um sistema de governo forte e vigoroso. Assassinatos políticos não têm lugar em uma democracia. Chamamos ao fim de uma política irresponsável que ameaça inviabilizar os avanços democráticos e o futuro do país", acrescentou a organização em uma nota divulgada nesta quarta-feira (7).

    O chefe de política externa da União Europeia, Josep Borrell, declarou que está "chocado" com o crime.

    ​Chocado com o assassinato do presidente haitiano Jovenel Moïse. Tivemos um encontro em um fórum diplomático há apenas três semanas. Este crime representa um risco de instabilidade e uma espiral de violência. Os autores deste assassinato devem ser encontrados e levados à justiça.

    A Casa Branca descreveu o ataque como "horrível" e "trágico". A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, acrescentou que os EUA estão preparados para ajudar o Haiti em momentos de necessidade.

    "É um crime horrível, e sentimos muito pela perda que [o povo do Haiti] está sofrendo e passando ao acordarem esta manhã e ouvindo esta notícia [...]. E nós estamos prontos e ao seu lado para fornecer qualquer assistência que seja necessária", afirmou Psaki, citada pela emissora CNN. O presidente dos EUA, Joe Biden, por sua vez, chamou a situação no Haiti de muito preocupante e disse que mais informações eram necessárias sobre a morte do presidente do país.

    Jovenel Moïse, 53 anos, era o 42º presidente do Haiti e tinha tomado posse em 2017. Moïse já havia sido alvo de outros ataques. O último ocorreu em fevereiro, quando as forças de segurança do país impediram uma tentativa de golpe de Estado e assassínio do presidente.

    Mais:

    Protestos no Haiti: entenda a luta política no país e o que os EUA têm a ver com isso
    Rebelião em presídio no Haiti termina com 25 mortos e mais de 400 fugitivos
    Avião leve cai no Haiti e deixa 6 pessoas mortas
    Tags:
    Haiti, presidente, presidente, primeiro-ministro, assassinato, tentativa de assassinato, homicídio
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar