19:21 22 Outubro 2021
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    4014
    Nos siga no

    O Comitê Cívico de Santa Cruz anunciou nesta quinta-feira (8) que solicitou ao presidente do Brasil a concessão de asilo político para a ex-ministra do Meio Ambiente da Bolívia, María Elva Pinckert, que responde a processo por corrupção.

    "Pedimos respeitosamente à vossa autoridade [que] conceda asilo político em favor de María Elva Pinckert de Paz, sendo suas razões totalmente válidas em conformidade com as normas do Direito Internacional Humanitário", disse a organização, que é um dos grupos mais influentes da direita boliviana, em uma carta dirigida a Bolsonaro, que foi entregue à embaixada brasileira em La Paz.

    Pinckert, ex-ministra do governo interino de Jeanine Áñez, está em paradeiro desconhecido desde o último fim de semana. De acordo com os seus familiares, ela está no exterior, depois de não atender a uma intimação do Ministério Público da Bolívia e se declarar na clandestinidade.

    O Comitê de Santa Cruz envia carta ao governo do Brasil solicitando a constituição de uma comissão internacional de combate à corrupção e de defesa dos direitos humanos.

    A ministra é a quarta integrante do gabinete de Áñez que teria fugido para o exterior para evitar processos judiciais na Bolívia, seguindo os passos dos ex-titulares de Governo, Arturo Murillo, e de Defesa, Luis Fernando López, que viajaram para os Estados Unidos, e Roxana Lizárraga, ex-ministra das Comunicações, que está refugiada no Peru.

    Comitê de Santa Cruz denuncia perseguição contra opositores do MAS

    A carta para Bolsonaro, datada de ontem (7) e divulgada pelo Comitê Cívico de Santa Cruz nas redes sociais, denuncia que o Ministério Público da Bolívia pretende processar Pinckert "sem respeitar as garantias que se outorga a uma pessoa imputada por um processo penal [...] gerando o desamparo absoluto".

    Além disso, o comitê, que foi um dos pilares dos protestos que levaram à derrubada do ex-presidente Evo Morales em novembro de 2019, pediu ao presidente Bolsonaro que promova uma ação internacional para frear a "perseguição" contra opositores que estaria sendo levada a cabo pelo atual governo de Luis Arce, do Movimento Ao Socialismo (MAS).

    Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, é escoltada pelo Ministro do Governo Carlos Eduardo Del Castillo, à direita, e o Comandante da Polícia Boliviana Jhonny Aguilera, no aeroporto militar de El Alto, Bolívia, 13 de março de 2021.
    © AP Photo / Juan Karita
    Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, é escoltada pelo Ministro do Governo Carlos Eduardo Del Castillo, à direita, e o Comandante da Polícia Boliviana Jhonny Aguilera, no aeroporto militar de El Alto, Bolívia, 13 de março de 2021
    O grupo citou como casos de supostas violações dos direitos humanos as detenções preventivas que foram impostas desde meados de março à ex-presidente Áñez e a dois de seus ex-ministros, acusados de golpe de Estado.

    Áñez chegou ao poder após a renúncia de Morales, a pedido das Forças Armadas, devido a denúncias feitas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) de irregularidades nas eleições de outubro de 2019, nas quais o ex-presidente saiu vencedor.

    Pinckert, do partido de direita Democratas, cuja base fica em Santa Cruz, é acusada de tráfico de influência e outros crimes.

    Antes de sair em defesa da ex-ministra, o Comitê Cívico de Santa Cruz ofereceu refúgio em seus escritórios a todos os opositores que, supostamente, estão sendo perseguidos pelo atual governo. 

    Mais:

    Governo da Bolívia pretende processar ex-presidente interina Áñez por supostos massacres
    EUA questionam prisões de ex-presidente interina e ex-ministros da Bolívia
    Após receber mandado de prisão, ex-ministra do governo Áñez busca asilo fora da Bolívia
    Tags:
    Brasil, Bolívia, golpe de Estado, justiça, asilo político
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar