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    Pandemia da COVID-19 no mundo em meados de fevereiro de 2021 (110)
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    Conceituada publicação lamenta que as políticas neoliberais dos governos norte-americanos da década de 1980 tenham revertido os ganhos do período de bem-estar social, fazendo com que o país fosse ultrapassado por outras nações.

    Renomada revista científica The Lancet divulgou na quarta-feira (10) um estudo em que afirma que décadas de administrações neoliberais e as decisões do governo de Donald Trump levaram a graves deficiências na resposta dos EUA ao combate à COVID-19.

    O relatório, desenvolvido pela Comissão para Políticas Públicas da The Lancet, calculou que, se os EUA tivessem taxas parecidas com as das outras seis principais nações industrializadas do mundo (G7), mais de 461.000 vidas teriam sido salvas em 2018 e 40% das mortes durante a pandemia do novo coronavírus não teriam ocorrido. Os cortes na proteção ambiental realizados por Trump também causaram cerca de 22 mil mortes em 2019, segundo o documento.

    Presidente dos EUA  Donald Trump e primeira-dama Melania Trump dão adeus no último dia de seu governo ao partirem para a Flórida
    © REUTERS / Carlos Barriá
    Presidente dos EUA Donald Trump e primeira-dama Melania Trump dão adeus no último dia de seu governo ao partirem para a Flórida

    A crise de saúde pública dos EUA

    Os cortes no financiamento das agências de saúde pública levaram a 50 mil mortes entre os funcionários de saúde da linha de frente que lutaram contra epidemias de 2008 a 2016, afirma o relatório.

    De acordo com o levantamento, cerca de 11% dos norte-americanos enfrentam insegurança alimentar, o que acarreta maiores riscos de obesidade e diabetes, que estão entre as principais comorbidades ligadas à COVID-19. O acesso precário a cuidados médicos e moradias superlotadas devido à pobreza facilitaram a disseminação do SARS-CoV-2 nas comunidades não brancas, acrescenta o documento.

    "A pandemia de COVID-19 explorou as desigualdades sociais e de saúde existentes e em nenhum lugar isso é mais aparente do que nos EUA. Em momentos de instabilidade, o mundo precisa dos EUA forte, sustentado por uma população saudável, para liderarem uma resposta global", afirmou Richard Horton, editor-chefe da The Lancet, em um comunicado.

    O relatório criticou ainda a administração Trump por ter saído da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do financiamento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), grupos encarregados de responder globalmente à pandemia em andamento.

    Neoliberalismo e a saúde

    As políticas neoliberais de Ronald Reagan, presidente dos EUA entre 1981 e 1989, reverteram os ganhos do período de bem-estar social (decorrência do New Deal, implementado na década de 1930) e dos Direitos Civis, fazendo com que os EUA ficassem para trás de outras nações desenvolvidas, diz o relatório, acrescentando que a administração Trump impôs medidas semelhantes aos cortes de impostos do governo Reagan, além de desregulamentações, austeridade e a privatização do Medicare (sistema de seguros de saúde).

    Em foto divulgada pela Casa Branca, o presidente Ronald Reagan está ao centro, e seu vice George Bush, na primeira fila, é segundo a partir da esquerda. São os membros do gabinete de Regan, em 1984. Na primeira fila, a partir da esquerda: Donald T. Regan; Arbusto; Reagan; George P. Shultz; Caspar W. Weinberger. Segunda linha: Terrel H. Bell;  Jeane J. Kirkpatrick; David A. Stockman; William French Smith; Elizabeth H. Dole; Donald P. Hodel; Margaret Heckler. Terceira linha: John R. Block; Raymond J. Donovan; Malcolm Baldrige; Samuel R. Pierce; William P. Clark; William J. Casey; Edwin Meese III; William E. Brock.
    © AP Photo / Michael Evans
    Em foto divulgada pela Casa Branca, o presidente Ronald Reagan está ao centro, e seu vice George Bush, na primeira fila, é segundo a partir da esquerda. São os membros do gabinete de Regan, em 1984. Na primeira fila, a partir da esquerda: Donald T. Regan; Donald T. Regan; Bush; Reagan; George P. Shultz; Caspar W. Weinberger. Segunda linha: Terrel H. Bell; Jeane J. Kirkpatrick; David A. Stockman; William French Smith; Elizabeth H. Dole; Donald P. Hodel; Margaret Heckler. Terceira linha: John R. Block; Raymond J. Donovan; Malcolm Baldrige; Samuel R. Pierce; William P. Clark; William J. Casey; Edwin Meese III; William E. Brock.
    "Esta separação sem precedentes entre saúde e a riqueza nacional sinaliza que nossa sociedade está doente. Enquanto os ricos prosperaram, a maioria dos norte-americanos perdeu terreno, tanto econômica quanto clinicamente. O governo Biden deve reiniciar a democracia e implementar as políticas sociais e de saúde progressistas necessárias para colocar o país no caminho para uma saúde melhor", diz Steffie Woolhandler, copresidente da Comissão para Políticas Públicas da The Lancet.

    Por fim, o relatório lista reformas para enfrentar a crise de saúde dos EUA, incluindo uma "resposta nacional e científica à pandemia de COVID-19", a revogação de cortes de impostos corporativos realizado por Trump em 2017, o aumento de impostos sobre ganhos de capital e o lançamento o Novo Acordo Verde (Green New Deal, em inglês), entre outras.

    Até o momento, mais de 468 mil norte-americanos morreram de COVID-19 e mais de 27 milhões já foram infectados pelo SARS-CoV-2 nos EUA.

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    Tags:
    Joe Biden, Donald Trump, Ronald Reagan, EUA, novo coronavírus, COVID-19
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