13:41 02 Dezembro 2020
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    2233
    Nos siga no

    Os processos migratórios de Cuba para os EUA nos últimos 60 anos tiveram várias nuances que vão de política a economia, mas nenhuma com tanto impacto como a Operação Peter Pan.

    Esta sexta-feira, 23 de outubro, é marcada pelo 58º aniversário do fim deste plano sinistro, supostamente organizado pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, com o apoio da Igreja Católica e outras entidades do governo americano.

    A transferência em massa dos menores ocorreu entre 26 de dezembro de 1960 e 23 de outubro de 1962, e a grande maioria, ao chegar aos Estados Unidos, acabou em orfanatos, abrigos, e alguns foram até adotados por famílias americanas. Porém, a grande questão é: por que separaram e retiraram milhares de crianças de Cuba?

    A infame arma do medo

    Desde o final de 1960, apenas dois anos após o triunfo da Revolução Cubana, e coincidindo com as primeiras medidas sociais adotadas na ilha – entre reforma agrária, reforma urbana, nacionalizações, entre outros – notícias falsas começaram a ser espalhadas nas rádios norte-americanas. As estações de rádio Voz da América e a Swan emitiam "alertas" às mães cubanas, dizendo que o novo governo retiraria a autoridade dos pais sobre seus filhos.

    Tudo fazia parte de uma campanha anticomunista. As mensagens propagadas amedrontavam as famílias cubanas, dizendo que crianças entre os 5 e os 18 anos seriam mandadas à força para a União Soviética para receberem "doutrinação comunista".

    Para dar mais credibilidade à mentira, foi redigida uma falsa lei de poder paternal, supostamente editada pelo governo cubano, que foi secretamente distribuída entre a população da ilha, causando reação imediata.

    Álvaro Fernández, cubano-americano editor do portal Progreso Semanal na cidade de Miami, revelou em 2009 que seu pai, ex-agente da CIA Ángel Fernández Varela, foi um dos responsáveis pela redação da lei falsa que causou a histeria.

    Álvaro conta que em 2001, antes de falecer, Fernández Varela confessou-lhe que a Operação Peter Pan era uma jogada sinistra planejada pela CIA.

    Operação Peter Pan

    Vários estudos e investigações indicam que o projeto inicial da Operação Peter Pan foi elaborado pelo padre católico de Miami e diretor-executivo do Departamento do Bem-Estar Familiar Católico, Bryan O. Walsh, e pelo então diretor da Academia Ruston de Havana, o americano James Baker, seguindo supostas ordens da CIA.

    Contrariamente a outras operações semelhantes anteriores, como a e 20 mil crianças bascas em 1937, devido à Guerra Civil Espanhola, ou à saída de 30 mil crianças judias da Alemanha nazista entre 1938 e 1939, a Operação Peter Pan ocorreu sem justificação política, ética e política.

    Ainda hoje há informações contraditórias em relação ao envolvimento da CIA em tamanho crime. Porém, é certo que por dois anos milhares de crianças, a maioria sem os pais, foram retiradas do seu país-natal por meios clandestinos, cautelosamente planejados e manobrados em plena luz do dia, e marcadas para o resto de suas vidas.

    Mais:

    Havana critica suspensão de voos pelos EUA: 'Confirma o desprezo do imperialismo pelos cubanos'
    Após diminuição de casos, Havana suspende toque de recolher imposto contra a COVID-19
    'Politicamente motivada': Cuba responde EUA por redução da equipe na embaixada de Havana
    Tags:
    propaganda, migração, Guerra Fria, URSS, Estados Unidos, Cuba
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar