04:43 25 Outubro 2020
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    Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, poderia preferir Donald Trump como presidente norte-americano, após revelações de possíveis cartas amigáveis entre os dois.

    Sue Mi Terry, membro sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) e ex-analista sênior sobre a Coreia do Norte para a CIA, participou do fórum virtual de políticas da Coreia do Norte do CSIS em 24 de setembro e expressou dúvidas sobre uma eventual provocação em breve de Pyongyang "porque este é um ano eleitoral incomum, onde Kim quer ver Trump ser eleito".

    "Então eu acho que a provocação virá, provavelmente, durante o período de transição", afirmou Terry, destacando o período de 3 de novembro a 10 de janeiro como um prazo provável para a retomada dos testes de sistemas avançados de armas da República Popular Democrática da Coreia.

    Terry observou que a "provocação" poderia vir depois de 10 de janeiro de 2021 se o candidato democrata e ex-vice-presidente Joe Biden vencer as eleições presidenciais dos EUA em 3 de novembro. É previsto que o presidente vencedor tome posse no dia 20 de janeiro.

    Relações Trump-Kim

    Recentemente, o relacionamento de Trump e Kim recebeu nova atenção devido ao livro "Rage" ("Raiva"), de Bob Woodward, editor associado no jornal Washington Post.

    "Não posso esquecer aquele momento da história em que segurei firmemente a mão de Vossa Excelência", disse o líder norte-coreano em uma carta ao seu homólogo norte-americano em 25 de dezembro de 2018.

    "Os únicos dois líderes que podem fazer isso são você e eu", confidenciou Trump em resposta a Kim, segundo o livro.

    Citando as memórias do presidente norte-americano dos eventos que levaram à cúpula entre Trump e Kim em Singapura em junho de 2018, Woodward escreveu que "durante o primeiro ano da presidência de Trump, [o então secretário de Defesa James] Mattis vivia em alerta permanente" sobre os repetidos testes de mísseis balísticos de Pyongyang, que incluíram um disparo do míssil balístico intercontinental Hwasong-15.

    Trump, que tomou uma posição dura contra a Coreia do Norte em 2017, admitiu a Woodward em uma entrevista gravada que Pyongyang e Washington quase se envolveram em uma guerra. Pyongyang realizou pelo menos 21 lançamentos de testes somente nesse ano.

    As pessoas a ver o lançamento do míssil balístico Hwasong-12 na televisão da estação ferroviária em Pyongyang, Coreia do Norte, 16 de setembro de 2017
    © AP Photo / Jon Chol Jin
    As pessoas a ver o lançamento do míssil balístico Hwasong-12 na televisão da estação ferroviária em Pyongyang, Coreia do Norte, 16 de setembro de 2017

    Apesar da natureza histórica da cúpula de Singapura, as negociações EUA-Coreia do Norte em relação à desnuclearização desmoronaram desde então, sem um compromisso firme por parte de Kim.

    "Havia a vontade de se engajar em alto nível, mas a partir dali a coisa desmoronou", explicou John Delury, professor da Universidade Yonsei em Seul, Coreia do Sul, ao Washington Post.

    "A teatralidade caótica e distraída da política de Trump significou que não criou realmente um processo duradouro".

    Armas nucleares da Coreia do Norte

    Pyongyang também se recusou a permitir que Washington inspecionasse seus bunkers de armas balísticas.

    "A Coreia do Norte não parou de construir armas nucleares ou desenvolver sistemas de mísseis; eles simplesmente deixaram de exibi-los", afirma Jeffrey Lewis, diretor do Programa de Não Proliferação do Leste da Ásia do Centro de Estudos de Não Proliferação de Armas (CNS, na sigla em inglês), ao diário.

    "Eles pararam de fazer as coisas que fizeram ciclos de más notícias para Trump", acrescentou Lewis.

    O CNS, localizado no Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury em Monterey, Califórnia, EUA, é a maior organização não-governamental dos EUA "dedicada exclusivamente à pesquisa e treinamento em questões de não-proliferação", de acordo com o portal da organização.

    Lançamento de míssil da Coreia do Norte (imagem referencial)
    © Foto / KCNA VIA KNS
    Lançamento de míssil da Coreia do Norte (imagem referencial)

    Uma versão confidencial do relatório provisório do comitê de sanções à Coreia do Norte do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) sugeriu no início de agosto que Pyongyang "provavelmente desenvolveu dispositivos nucleares miniaturizados para caber nas ogivas de seus mísseis balísticos".

    "A República Popular Democrática da Coreia continua seu programa nuclear, incluindo a produção de urânio altamente enriquecido, e a construção de um reator experimental de água leve", sustentou o relatório.

    O painel do CSNU divulgou em 28 de setembro o relatório completo a médio prazo, acusando Pyongyang de exceder seu limite anual de importação de 500.000 barris de produtos petrolíferos refinados no espaço dos primeiros cinco meses de 2020.

    O painel de 15 membros do CSNU alegou que imagens de satélite da Coreia do Norte mostraram que Pyongyang suspendeu temporariamente as exportações de carvão no final de janeiro e retomou as entregas no final de março. Especialistas detalharam "transferências de navio para navio" feitas por embarcações norte-coreanas operando em "águas de outro Estado-membro".

    A China e a Rússia questionaram a base das afirmações do painel no relatório provisório. Moscou argumentou que a emissão do painel do CSNU "não fornece informações objetivas, precisas e verificáveis, ou tem provas suficientes de imagens sólidas".

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    Tags:
    Rússia, China, EUA, Coreia do Norte
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