14:34 27 Setembro 2020
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    As tentativas da administração Trump de estender o embargo de armas contra o Irã poderiam levar os EUA a ficarem diplomaticamente isolados, uma vez que Washington não tem apoio nos órgãos vitais.

    Os EUA pretendem restabelecer praticamente todas as sanções suspensas pelo Conselho de Segurança Nacional da Organização das Nações Unidas (CSNU) contra o Irã, mas isso poderia isolar diplomaticamente o país norte-americano, uma vez que as outras partes do acordo não veem o sentido das sanções, escreve o jornal The Wall Street Journal (WSJ).

    Especialistas acreditam que o restabelecimento das sanções pelos EUA poderia arrastar o CSNU para um atoleiro legal e provocar disputas ferozes entre Washington e seus aliados sobre o programa nuclear de Teerã, aponta a mídia norte-americana.

    Ao mesmo tempo, França, Reino Unido e Alemanha declararam que não apoiariam os esforços dos EUA para restabelecer unilateralmente as sanções porque querem manter o acordo com o Irã. Por sua vez, Rússia e China alegam que os EUA não têm o direito legal de restaurar as sanções, deixando claro que as ignorarão.

    Autoridades dos EUA dizem que a posição de Washington encontrou apoio de Israel e das nações do Golfo, apesar de não serem membros do CSNU ou do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), o acordo nuclear sob o qual as sanções estão baseadas.

    Segundo funcionários europeus, uma prorrogação do embargo poderia levar a um confronto no CSNU que poderia enterrar o JCPOA, que o Irã continua cumprindo, embora em parte.

    No entanto, Wendy Sherman, professora e diplomata norte-americana, considera que não vai haver uma grande mudança no status quo.

    "Parece-me que tudo isso terminará não com um estrondo, mas com um soluço", comentou, citada pelo WSJ.

    Segundo a especialista, "haverá muitas negociações nos bastidores", mas no final ficará claro que ninguém entre os membros permanentes do CSNU, além dos EUA, considera que Washington é membro do JCPOA.

    "Por isso, os EUA não têm o direito de restabelecer as sanções", concluiu Sherman.

    Mecanismo das sanções

    Mesmo que as disputas legais não sejam levadas em consideração, os Estados Unidos ainda não elaboraram nenhum plano para implementar as sanções caso os membros do CSNU não queiram apoiar Washington.

    Com a aproximação da data de expiração do embargo de armas iranianas, em 18 de outubro de 2020, as autoridades norte-americanas estão apontando cada vez mais na necessidade de uma proibição da importação de armas iranianas, mas os esforços de Washington dificilmente impedirão o Irã de comprar armas da Rússia e da China, afirma o WSJ.

    Após os Estados Unidos notificarem o CSNU sobre seus planos de restabelecer as sanções, os outros membros terão dez dias para propor suas contramedidas, que Washington pode vetar, disse a fonte.

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    Tags:
    JCPOA, Plano de Ação Conjunto Global, China, Rússia, Alemanha, Reino Unido, França, Wall Street Journal, The Wall Street Journal, Donald Trump, Irã, EUA
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