16:15 01 Dezembro 2020
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    A empresa que gerencia o funcionamento do navio RCGS Resolute, envolvido em um acidente com uma embarcação da guarda costeira da Venezuela na madrugada da última segunda-feira (30), afirma que o navio de cruzeiro, que tem bandeira portuguesa, foi alvo de tiros disparados pelas autoridades venezuelanas.

    De acordo com a Columbia Cruise Services, companhia alemã, o Resolute navegava em águas internacionais quando o incidente aconteceu, e não em mar territorial venezuelano, conforme afirmaram as autoridades do governo de Nicolás Maduro.

    A embarcação fazia "manutenção de rotina durante a viagem até o destino, Willemstad, em Curaçao. Como a manutenção era feita no motor de estibordo, o motor de bombordo estava em standby para manter uma distância segura da ilha a todo instante", explica a empresa à Sputnik Brasil. 

    Foi nesse momento, segundo a companhia, que as autoridades venezuelanas abordaram o Resolute, "questionando quais eram as intenções da presença da embarcação e dando ordens para que seguissem para Porto Moreno, na ilha de Margarita. Como o RCGS Resolute navegava em águas internacionais na hora, o comandante do navio quis confirmar a orientação, que resultaria em um sério desvio da rota".

    Enquanto o comandante contatava a companhia, "tiros foram disparados e, logo em seguida, a embarcação oficial [da Venezuela] se aproximou com velocidade do costado a estibordo [do Resolute] e bateu propositalmente. O navio militar continuou a empurrar a proa por estibordo, no que pareceu uma tentativa de virar a proa do navio em direção às águas venezuelanas", lê-se na declaração da Columbia Cruise Services sobre o incidente.

    Depois do embate, a embarcação venezuelana acabou afundando. A companhia garante que a tripulação do Resolute permaneceu no local e tentou, sem sucesso, contatar os militares para prestar assistência. Além disso, o Centro de Coordenação de Resgates Marítimos (MRCC) de Curaçao foi avisado no momento. "Somente depois de receber ordens do MRCC para seguir viagem e de ser informado de que não seria preciso prestar socorro o Resolute continuou a navegar rumo ao destino", diz a empresa.

    Publicadas fotos do navio RCGS Resolute e os danos causados em sua proa, depois de colidir com o navio da Guarda Costeira GC-23. O mesmo atracou na manhã de hoje no porto de Willemstad, Curaçao.

    Os danos ao Resolute foram pequenos. Nas redes sociais, fotos mostram os estragos na embarcação, apenas algumas rachaduras na proa.

    Versão venezuelana

    O presidente Nicolás Maduro classificou o incidente como "um ato de pirataria internacional", já que o navio Resolute teria batido de propósito no navio da Guarda Costeira para evitar uma fiscalização.

    De acordo com a nota oficial do Ministério da Defesa da Venezuela, a embarcação da Guarda Costeira Naiguatá (GC-23) patrulhava uma área ainda no mar venezuelano, perto da ilha La Tortuga, quando foi atingida pelo Resolute. Os danos ao Naiguatá foram "de grande magnitude" e a embarcação afundou.

    "A ação do navio Resolute é considerada covarde e criminosa, uma vez que não acompanhou o resgate dos tripulantes [do Naiguatá], descumprindo as normas internacionais que regulam o salvamento de vidas no mar", lê-se na nota venezuelana. Ainda segundo o texto, a tripulação foi resgatada sem ferimentos.

    "O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela e o Ministério da Defesa iniciaram os respectivos procedimentos a nível diplomático e militar para esclarecer este caso. No entanto, as autoridades venezuelanas não descartam que este navio transportasse mercenários para atacar bases militares na Venezuela", afirma o comunicado feito pelas autoridades venezuelanas ao Governo de Curaçao.

    Relação com Portugal

    Autoridades em Portugal também iniciaram uma investigação sobre as causas do incidente. O Resolute pertence a uma empresa alemã, a Bunnys Adventure and Cruise Shipping Co. Ltd., mas está inscrita no Registro Internacional de Navios da Madeira - MAR, entidade sediada na ilha da Madeira, uma das regiões autônomas de Portugal, desde 2018. Somente por esse motivo, a embarcação é considerada portuguesa.

    Em resposta à Sputnik Brasil, o presidente da comissão técnica do MAR, António Moreira, afirma que "na sequência do incidente em causa, as autoridades nacionais relevantes abriram um inquérito e estão a colaborar com as congêneres dos Estados envolvidos, nos termos das exigências da regulamentação nacional e internacional aplicável, para apuramento cabal dos fatos. Na sequência dessa iniciativa, será oportunamente dada notícia das conclusões".

    O ministro dos Negócios Estrangeiros (Relações Exteriores) de Portugal, Augusto Santos Silva, disse à agência Lusa que vai responder "tão breve quanto possível à nota verbal da Venezuela. Este incidente, qualquer que seja a sua natureza, é um incidente que não deve perturbar as relações de Estado a Estado, entre a Venezuela e Portugal, quanto mais tratando-se de um navio privado e de um incidente isolado cujas responsabilidades podem e devem ser apuradas".

    O Resolute está ancorado no porto de Willemstad. A Columbia Cruise Services diz que a primeira etapa das investigações é liderada por representantes das empresas seguradoras e advogados.

    A embarcação é um navio de cruzeiros cinco estrelas, que faz rotas pelos mares do Ártico e da Antártica. No momento do incidente, no navio viajavam 32 tripulantes, que não se feriram, sem passageiros a bordo.

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    Tags:
    naufrágio, pirataria, Nicolás Maduro, Venezuela, Portugal
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