12:31 22 Setembro 2020
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    O embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai, respondeu às acusações de "vírus chinês" de Washington, dizendo que é irresponsável que diplomatas apontem dedos em relação à origem do SARS-CoV-2.

    O embaixador da China nos Estados Unidos, Cui Tiankai, enfatizou a importância de suprimir os rumores sobre as origens do novo coronavírus, notando que cabe aos cientistas mapeá-las. Ele atacou as acusações de encobrimento dos dados, sugerindo que Pequim não poderia alertar o mundo sem antes verificar as informações.

    O alto responsável sublinhou que foi Washington que começou o jogo da culpa do coronavírus, reconhecendo que é "muito prejudicial" para diplomatas e jornalistas especularem sobre as origens da COVID-19, já que esta é uma missão para os cientistas, disse ele ao Axios em uma entrevista.

    Cui abordou múltiplos rumores e especulações sobre a propagação do vírus, incluindo que o vírus foi supostamente concebido em um laboratório chinês, sugerindo que a conspiração "foi primeiro iniciada [nos EUA]".

    O embaixador foi questionado sobre a suposição do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Zhao Lijian de que o Exército dos EUA poderia ter levado intencionalmente o vírus para Wuhan em outubro de 2019. Ele respondeu argumentando que não está em posição de interpretar as palavras de Zhao.

    O enviado também reiterou que não deveria haver espaço para rumores, referindo-se a uma entrevista anterior, em 9 de fevereiro, quando ele refutou as alegações do senador Tom Cotton do Arkansas. O senador norte-americano afirmou que o coronavírus poderia ser parte do programa de guerra biológica da China, que Lijian chamou de "absolutamente louco".

    'Não é encobrimento'

    Cui também refutou veementemente as acusações de que as autoridades chinesas tentaram encobrir o surto e suprimir a propagação de informações vitais nas fases iniciais da epidemia.

    "Não é um processo de encobrimento [...] É um processo de descobrir este novo tipo de vírus, fazer um bom trabalho na identificação do vírus, saber mais sobre ele, aprender mais sobre as rotas de transmissão e como responder", pontuou.

    O diplomata salientou que, depois de reunir a maior parte dos dados, incluindo a sequência do genoma do coronavírus, a China compartilhou "tudo" com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a comunidade global.

    Bruce Aylward da Organização Mundial da Saúde (OMS) participa de conferência sobre COVID-19, 24 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Thomas Peter
    Bruce Aylward da Organização Mundial da Saúde (OMS) participa de conferência sobre COVID-19, 24 de fevereiro de 2020

    Ele elogiou os "esforços resolutos e determinados" de Pequim para conter efetivamente o surto, enfatizando a acentuada tendência de queda no número de casos em toda a China.

    EUA e China em 'momento crítico'

    Cui apoiou a cooperação EUA-China no assunto, sugerindo que as duas maiores economias se encontraram em um "momento crítico", e que são necessários esforços de ambos os lados para construir uma relação bilateral saudável, uma vez que os dois se envolveram ultimamente em uma verdadeira guerra de palavras sobre o vírus.

    Por exemplo, Trump já se referiu algumas vezes ao SARS-CoV-2 como "o vírus chinês", enfatizando depois que apenas queria dizer que se originou em solo chinês. O primeiro comentário desse tipo veio logo após os comentários do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês sobre a conspiração militar americana.

    Segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês, o país ofereceu assistência a 82 países, bem como à OMS e à União Africana, nomeadamente no fornecimento de kits de teste, máscaras etc.

    A província chinesa de Hubei, o anterior foco da epidemia, agora foi ultrapassada pela Itália, não relatando novos casos de origem local durante os últimos cinco dias. Foram registadas cerca de 40 novas infecções ultimamente, mas todas elas vieram do exterior.

    Funcionários de agência funerária em cemitério da província de Bergamo, na Itália, 16 de março de 2020
    © REUTERS / Flavio Lo Scalzo
    Funcionários de agência funerária em cemitério da província de Bergamo, na Itália, 16 de março de 2020

    A China também está totalmente empenhada em trabalhar em uma vacina contra o coronavírus, com toda uma série de projetos que já têm testes clínicos aproximados e até mesmo testes em humanos.

    Os EUA são atualmente o terceiro país mais afetado do mundo (mais de 35.000 casos), enquanto o número de mortes é baixo, 473.

    O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no domingo (22) que aprovou os pedidos de Nova York e Washington de declarar um grande desastre nos dois estados em meio à pandemia da COVID-19.

    De acordo com o presidente norte-americano, o governo federal dos Estados Unidos pagará pela implantação de tropas da Guarda Nacional nos estados de Nova York, Califórnia e Washington para ajudar a combater o coronavírus.

    Nova York continua sendo o foco da doença viral contagiosa nos EUA, com o maior número de casos registrados lá. A cidade tem um total de 15.168 infecções, segundo o governador Andrew Cuomo, e pelo menos 114 pessoas morreram até o momento.

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    Tags:
    China, EUA
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