20:27 30 Outubro 2020
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    O novo presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, cortou relações diplomáticas com Caracas. Em outubro, o então presidente eleito foi barrado de entrar na Venezuela após tentar entrar no país com passaporte italiano.

    Cumprindo promessa de campanha, o novo presidente da Guatemala cortou relações diplomáticas com a Venezuela e exigiu o fechamento da representação diplomática de Caracas na sua capital.

    "Instruímos o ministro das relações exteriores para que o único funcionário da embaixada venezuelana [em Cidade da Guatemala] retorne ao seu país, e que nós rompamos definitivamente as relações com o governo da Venezuela", declarou Giammattei, adicionando: "Vamos fechar a embaixada."

    Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Rodríguez, acusou o novo governo guatemalteco de ser submisso ao governo norte-americano.

    "Esse governo certamente será mais uma piada de mau gosto. Nossos sentimentos e respeito ao povo da Guatemala", escreveu Rodríguez.

    O deputado venezuelano e presidente autoproclamado do país, Juan Guaidó, e a "embaixadora" que representa o seu governo, María Romero, residente em Miami, nos EUA, compareceram à cerimônia de posse de Giammattei.

    Presidente eleito deportado

    A animosidade entre o presidente guatemalteco e o governo venezuelano teve origem antes mesmo do início de seu mandato.

    Em outubro de 2019, o então presidente eleito da Guatemala, Alejandro Giammattei, foi barrado na imigração venezuelana, junto com o então chanceler designado, Pedro Brolo.

    De acordo com comunicado oficial emitido pelo governo venezuelano em 12 de outubro, Giammattei tentou entrar no país com um passaporte italiano, enquanto Brolo teria apresentado um passaporte espanhol.

    "O fato de o presidente eleito de uma república independente ter tentado entrar em um outro país utilizando uma cidadania distinta da do país no qual ele irá exercer a presidência da república chamou a atenção dos funcionários [da imigração]", versa o comunicado da Venezuela.

    Giammattei teria negado que sua entrada na Venezuela fosse de caráter turístico ou privado.

    Presidente da Guatemala faz vistoria das Forças Armadas, acompanhado de seu Ministro da Defesa, Juan Carlos Aleman, 15 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Luis Echeverria
    Presidente da Guatemala faz vistoria das Forças Armadas, acompanhado de seu Ministro da Defesa, Juan Carlos Aleman, 15 de janeiro de 2020

    "A visita de funcionários estrangeiros de alto nível exige não somente a realização de coordenações bilaterais em matéria de agenda, segurança e emissão de visto, mas também a apresentação de credenciais", explica o documento.

    Conversa com a OEA

    O presidente da Guatemala afirmou ter conversado com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a decisão de cortar relações com a Venezuela, reportou a agência guatemalteca de notícias AGN.

    "É um tema que preocupa todo o continente", afirmou o mandatário, que debateu a participação da Guatemala no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) e no Grupo de Lima.

    O Grupo de Lima é um fórum diplomático formado em 2017, que tem o objetivo de "abordar a crítica situação da Venezuela". O grupo inclui 12 países, dentre eles Brasil, Canadá, Argentina, Chile, Guatemala e Colômbia.

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    Tags:
    Relações diplomáticas, rompimento, relações bilaterais, Venezuela, Guatemala
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