11:44 22 Fevereiro 2020
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    O ex-presidente boliviano Evo Morales confessou que tem "muito medo" de uma guerra civil no seu país, pediu a seus compatriotas que acabem com os confrontos e apelou a um "diálogo nacional".

    "Tenho muito medo. Na nossa gestão unimos campo e cidade, leste e oeste, profissionais e não profissionais. Agora vêm grupos violentos", respondeu Morales em entrevista à agência EFE, quando questionado sobre o risco de uma guerra civil na Bolívia.

    Do seu exílio no México, Morales acusou as Forças Armadas e a Polícia de estarem "matando o povo", referindo-se às "23 mortes por balas", e explicou que renunciou no dia 10 de novembro "para que não houvesse mais agressões" contra seus companheiros e para "evitar um banho de sangue".

    O presidente demissionário não vê outra alternativa senão iniciar um "grande diálogo nacional" na Bolívia, do qual gostaria de fazer parte.

    Mediação da crise

    Morales é a favor que a Espanha e outros países participem da "mediação para a pacificação", para acabar com a crise no país boliviano.

    "Meu grande desejo é que haja diálogo com a participação de mediadores", comenta o ex-presidente boliviano.

    Morales também está decepcionado com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que ele critica por tomar "decisões políticas" em seu relatório preliminar sobre as eleições e por se juntar ao golpe de Estado.

    "Agora percebo qual é o papel da OEA na América Latina", ressalta o ex-líder indígena, que defende "a revisão, reestruturação, refundação ou, finalmente, o enterro" da organização.

    Ele também está "convencido" de que "por trás deste golpe há interesses transnacionais e, especialmente, interesses norte-americanos", que foram os primeiros a reconhecer as novas autoridades.

    "Venho de uma família muito humilde e os valores que aprendi na família são 'não roubar, não mentir, não ser preguiçoso'. Vim para a presidência com verdade e honestidade", enfatizou.

    Manifestação contra Evo Morales na Bolívia em 9 de novembro de 2019.
    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
    Manifestação contra Evo Morales na Bolívia em 9 de novembro de 2019.

    O primeiro presidente indígena da Bolívia reiterou sua gratidão ao presidente do México, ao governo e ao povo mexicano por ter "salvo sua vida", embora não descarte que possa haver "ameaças e ataques" contra ele, além de confessar sentir falta de sua vida na Bolívia.

    "Algo que alguns países exageradamente industrializados não nos perdoam é que um país socialista pôde demonstrar que com a política de esquerda há futuro", explica Morales.

    Renúncia presidencial

    No dia 10 de novembro, as Forças Armadas e a polícia pediram publicamente a renúncia do então presidente boliviano Morales, que havia vencido pela quarta vez consecutiva a eleição presidencial de outubro. Sua vitória, não reconhecida pela oposição, causou uma onda de protestos e violência no país sul-americano.

    Após a renúncia de Morales, a segunda vice-presidente do Senado, da oposição, Jeanine Áñez, assumiu interinamente os poderes presidenciais.

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    Tags:
    golpe de Estado, renúncia, guerra civil, Bolívia, Evo Morales
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