16:43 07 Dezembro 2019
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    Mandatário deposto da Bolívia, Evo Morales, concede entrevista na Cidade do México, na noite do dia 14 de novembro de 2019

    Evo Morales acusa EUA de 'conspiradores' e pede para Papa Francisco e ONU mediarem crise na Bolívia

    © AP Photo / Eduardo Verdugo
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    Em entrevista, o mandatário deposto da Bolívia sugere mediação da ONU e Papa Francisco para solucionar a crise boliviana e afirma: enquanto o parlamento não aprovar a sua renúncia "posso dizer que ainda sou o presidente".

    Anteriormente, o secretário-geral da ONU, António Guterres, havia anunciado que seu enviado pessoal, Jean Arnault, irá à Bolívia buscar uma solução pacífica para a crise.

    "Eu tenho muita confiança na ONU", disse Morales, que espera que a organização "seja um mediador, não só um facilitador, talvez acompanhada pela Igreja Católica e, se for necessário, incluiremos também o Papa Francisco".

    Na entrevista, concedida na Cidade do México à Associated Press, Morales acusou os EUA de serem os "grandes conspiradores" por trás do golpe de Estado que o forçou a deixar o país.

    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019
    © REUTERS / Marco Bello
    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019

    As relações entre Morales e Washington se deterioraram desde que, em 2008, o boliviano expulsou agentes norte-americanos do Órgão de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) do país andino.

    'Posso dizer que ainda sou o presidente'

    Durante a entrevista, Evo Morales criticou a autoproclamação da senadora opositora Jeanine Áñez ao cargo de presidente interina. Para o mandatário deposto, a legislação boliviana exige que o Parlamento aprove ou rejeite a sua renúncia. Somente após isso, a sucessão presidencial pode ter início.

    "Enquanto [a Assembleia] não aprovar ou rejeitar [a renúncia], eu posso dizer que ainda sou presidente", explicou o líder indígena.

    Morales disse estar disposto a voltar para a Bolívia, caso a sua presença ajude a pacificar o país.

    Novas eleições

    Antes de sua renúncia, Evo Morales já havia concordado em convocar novas eleições. No entanto, as Forças Armadas e a Polícia Nacional exigiram publicamente que ele renunciasse ao cargo.

    A presidente interina autoproclamada, Jeanine Áñez, declarou que irá organizar novas eleições "o quanto antes", mas que Evo Morales não poderá se apresentar como candidato. De acordo com a Constituição boliviana, o presidente interino tem até 90 dias para convocar o pleito.

    Policiais bolivianos empunham a bandeira do país. As forças de segurança são acusadas de não reagir a ataques contra casas de familiares dos membros do governo, inclusive a da irmã de Evo Morales
    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
    Policiais bolivianos empunham a bandeira do país. As forças de segurança são acusadas de não reagir a ataques contra casas de familiares de membros do governo, inclusive contra a irmã de Evo Morales

    Nesta quinta-feira (15), os partidos com representação no Parlamento boliviano chegaram a acordo para realizar novas eleições. O partido de Evo, Movimento para o Socialismo (MAS), retomou o controle de ambas as câmeras do Congresso boliviano.

    Protestos e repressão policial

    A violência na Bolívia já vitimou pelo menos dez pessoas desde a renúncia de Evo Morales, neste domingo (10). Os dados são do Instituto de Investigação Forense (IDIF) da Bolívia.

    Esclarecemos que, entre os dias 11 e 12 de novembro, foram registrados 5 mortos, 4 por impacto de balas durante a intervenção conjunta das Forças Armadas e da Polícia Boliviana, e um com asfixia por estrangulamento. Informações estão sendo coletadas para identificar um dos corpos

    Nesse ínterim, manifestantes favoráveis a Evo Morales organizam manifestações ao redor do país.

    Apoiadores de Evo Morales empunham a bandeira Wiphala em novos protestos em La Paz, em 14 de novembro de 2019
    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
    Apoiadores de Evo Morales empunham a bandeira Wiphala em novos protestos em La Paz, em 14 de novembro de 2019

    Um grupo que marchava da região rural de Chapare foi impedido pela Polícia de se aproximar da cidade de Cochabamba, aonde tomariam parte nos protestos.

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    Tags:
    Papa Francisco, ONU, golpe de Estado, México, EUA, Bolívia
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