14:24 11 Dezembro 2019
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    Pessoas passam por barricadas em protestos contra o presidente da Bolívia, Evo Morales

    Após Brasil e Equador, médicos cubanos agora vão deixar Bolívia

    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
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    Cuba anunciou nesta sexta-feira (15) que convocará de volta os médicos cubanos que trabalham na Bolívia e pediu a liberação "imediata" de quatro profissionais de saúde presos no país recentemente.

    A estimativa é de que 700 cubanos deixem a Bolívia com o fim do acordo entre as duas nações. A data e as condições do regresso ainda não foram definidas. 

    Na terça-feira (12), o governo do Equador disse que estava finalizando o programa que usava médicos cubanos desde 2013. Cerca de 400 profissionais devem deixar o país. Em novembro do ano passado, Cuba encerrou sua participação no Mais Médicos em resposta a declarações consideradas ofensivas do então presidente eleito Jair Bolsonaro. 

    Médicos cubanos são acusados de financiar protestos pró-Morales

    Os quatro médicos cubanos presos na Bolívia foram acusados por moradores da cidade de El Alto, na periferia de La Paz, de financiar protestos a favor de Evo Morales, que renunciou à presidência por pressão dos militares e em meio a uma onda de manifestações.

    "O Ministério das Relações Exteriores rechaça as falsas acusações de que esses companheiros encorajam ou financiam protestos", disse a chancelaria, segundo publicado pela agência Reuters. 

    Além disso, a nota do ministério afirmou que as prisões eram "baseadas em mentiras deliberadas e sem fundamento algum". 

    Segundo autoridades bolivianas, os quatro cubanos foram encontrados com um mochila com dinheiro equivalente a 100 mil dólares. Havana afirmou que a quantia seria usada em pagamentos de aluguéis e salários da missão médica cubana. 

    'Retorno imediato dos colaboradores cubanos'

    Em razão do episódio, a chancelaria disse que "nas circunstâncias descritas decidiu-se pelo retorno imediato à pátria dos colaboradores cubanos". Cuba pediu que os "detidos sejam liberados imediatamente e as autoridades bolivianas garantam a integridade física de cada um". 

    Membros do governo interino boliviano vem insinuando que os protestos a favor de Morales, que está exilado no México, contam com a participação de venezuelanos, cubanos e até ex-guerrilheiros colombianos. As mesmas acusações foram feitas em relação aos protestos contra os presidentes do Equador, Lenín Moreno, e do Chile, Sebastián Piñera. 

    Manifestante atira de uma arma artesanal durante protesto em Quito, no Equador
    © REUTERS / Ivan Alvarado
    Manifestante atira de uma arma artesanal durante protesto em Quito, no Equador

    O governo de Morales e da ilha caribenha eram fortes aliados, com vários acordos assinados na área social. 

    Cuba já enviou 50 mil médicos par 67 países

    Cuba tem uma das medicinas mais respeitadas do mundo e o envio de médicos para outros países é importante fonte de renda para o governo local, além de ajudar no atendimento de lugares remotos e carentes em outras nações. A ilha já enviou mais de 50 mil profissionais de saúde para 67 países por meio de acordos de cooperação. 

    No caso do Brasil, o governo cubano ficava com a maior parte do dinheiro destinado a cada médico por meio de contrato com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde). Mesmo com a saída de Cuba do Mais Médicos, muitos cubanos ficaram no Brasil. Agora, Medida Provisória em discussão no Congresso prevê que esses profissionais possam retornar ao programa.

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    Tags:
    governo, Crise, saúde, médicos, Cuba, américa latina, América do Sul, Brasil, equador, Bolívia
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