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    Em meio a intimidações de demissão por militares e policiais, Evo Morales, que liderou a Bolívia por 13 anos, anunciou sua renúncia no dia 10 de novembro. Saiba alguns dos pontos-chave de sua longa carreira, que trouxe mudanças significativas ao país.

    Nascido em 26 de outubro de 1959, Morales foi eleito pela primeira vez presidente em 22 de janeiro de 2006, tornando-se o 66º presidente da Bolívia.

    Morales é considerado o primeiro líder indígena americano e o que foi presidente mais tempo no país.

    Conquistas econômicas

    Morales foi um presidente distintamente de esquerda, que fez da luta contra a pobreza e o analfabetismo na Bolívia sua principal política. Após sua eleição em 2006, a Bolívia tinha a maior taxa de analfabetismo da América Latina - 16%. O país sofria de pobreza profunda: 35% da população vivia em pobreza extrema e 58,9% em pobreza moderada, de acordo com o Journal of Latin American Studies.

    Em 2014, o  jornal The Guardian escreveu que "Evo Morales provou que o socialismo não prejudica a economia". Sob a liderança de Morales, a pobreza extrema caiu 43% e a pobreza moderada 25%, acrescentando que os gastos sociais aumentaram mais de 45%, e o salário mínimo aumentou quase duas vezes (87,7%).

    Programas sociais

    Segundo a publicação do The Economist, a presidência de Morales foi marcada por grandes aumentos nos programas sociais, principalmente pela introdução de pensões de velhice não-contributivas.

    Outras medidas incluíam dar centenas de tratores gratuitos, controlar os preços dos combustíveis e forçar os produtores agrícolas a vender no mercado interno em vez de exportar.

    A grande maioria dos gastos sociais, no entanto, foi para a construção de estradas pavimentadas em todo o país, bem como para levar água corrente e eletricidade para áreas que antes não tinham nenhuma delas.

    Impostos corporativos

    A base para o sucesso econômico de Morales foi lançada durante seu primeiro mandato presidencial, durante o qual ele fez o que muitos pensavam ser impensável: sem nacionalizar a indústria nacional de extração de hidrocarbonetos, ele aumentou os impostos das empresas de 18% para 82%, o que elevou a receita nacional de petróleo e gás de US$ 173 milhões, em 2002, para US$ 1,3 bilhão, em 2006.

    Manifestantes protestam contra o presidente Evo Moralez nas ruas de La Paz, capital da Bolívia
    © REUTERS / Marco Bello
    Manifestantes protestam contra o então presidente Evo Moralez nas ruas de La Paz, capital da Bolívia

    As empresas inicialmente ameaçaram deixar o país, mas acabaram cedendo. O primeiro ano de Morales terminou sem déficit fiscal, o primeiro em 30 anos no país.

    Legalização da coca

    Em 2012, a Bolívia se retirou da convenção da ONU de 1961, que considera as plantas de coca ilegais, e em 2013 convenceu a Convenção Única sobre Entorpecentes a desclassificar a coca como narcótico.

    Sob o governo Morales, o cultivo tradicional de coca passou a ser considerado legal, permitindo o cultivo de cerca 202 km² de plantações em todo o país, ao mesmo tempo que reprimia os produtores de cocaína - um movimento que mostrou um sucesso misto devido à corrupção policial relatada.

    Cronologia de governo

    Desde o primeiro dia de sua presidência, Morales lutou contra os movimentos de autonomia local, especialmente nas províncias orientais do país.

    Em 2009, o governo se reuniu com a oposição e adotou uma nova Constituição, alterando 100 das 411 cláusulas. No entanto, o documento de compromisso não conseguiu satisfazer as províncias orientais.

    O segundo mandato de Morales foi marcado por protestos na sua base de apoio. Os manifestantes exigiram um salário mínimo mais alto e a reversão de várias reformas governamentais – ato que se tornou violento após a rejeição pelo governo destas exigências.

    Já o terceiro mandato de Morales foi ofuscado pela revelação de um filho bastardo. Esse escândalo prejudicou a reputação do presidente, tanto que ele perdeu nas pesquisas de 2016 para a oposição, segundo outro relatório da BBC.

    Manifestação contra Evo Morales na Bolívia em 9 de novembro de 2019.
    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
    Manifestação contra Evo Morales na Bolívia em 9 de novembro de 2019.

    Em novembro de 2017, o Supremo Tribunal de Justiça da Bolívia decidiu que todos os cargos públicos não teriam limites de mandato, permitindo que Morales concorresse a mais um mandato, o que violava a Constituição de 2009.

    Os resultados eleitorais do quarto mandato de Morales, que teve início no passado dia 20 de outubro, foram considerados fraudulentos pela oposição, provocando uma nova onda de protestos violentos. Depois que os militares se juntaram aos pedidos de renúncia, Morales anunciou que se retiraria.

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    Tags:
    presidente, renúncia, Bolívia, Evo Morales
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