15:06 22 Novembro 2019
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    Militares retornam a Brasília após sete meses de operações no Haiti, no âmbito da Operação de Paz MINUSTAH

    Missão de Paz da ONU no Haiti é encerrada com 'ganhos frágeis'

    © Folhapress / Lula Marques
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    O Conselho de Segurança da ONU irá encerrar hoje a Missão de Paz da ONU para o Haiti, após quinze anos de operação. Criada em 2004, a missão foi liderada pelo Brasil até 2017.

    A decisão do Conselho de Segurança da ONU veio em meio à nova crise política e econômica no país caribenho.

    Conforme declarou o secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, durante a reunião do Conselho de Segurança, a missão da ONU "vira a página da manutenção da paz". A Organização passará a operar um Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH, na sigla em inglês).

    Após quinze anos, hoje foi o último dia da Operação de Manutenção de Paz das Nações Unidas no Haiti. 

    Instabilidade Política 

    A Missão de Paz da ONU no Haiti chega ao fim em meio a forte instabilidade política no país. Desde o ano passado, vêm ocorrendo manifestações recorrentes contra o governo do presidente Jovenel Moise na capital Porto Príncipe.

    Os dados preliminares da missão da ONU indicam pelo menos 30 mortes entre 15 de setembro e 9 de outubro, metade delas vinculadas à ação policial.

    Garota observa soldado capacete-azul da ONU na capital Porto Príncipe
    Garota observa soldado capacete-azul da ONU na capital Porto Príncipe

    Em 11 de outubro, houve nova onda de violência na capital, após a polícia tentar destruir uma barricada montada por manifestantes próxima ao Palácio Presidencial. A oposição, frustrada com a situação econômica do país, demanda a destituição do atual presidente.

    Mesmo em meio à situação de instabilidade, a ONU destacou os "avanços" obtidos desde a criação da Missão de Paz. De acordo com a organização, graças ao apoio fornecido à Polícia Nacional haitiana, a taxa de homicídio do país caiu pela metade nos últimos 15 anos.

    'Problemas políticos sistêmicos'

    Apesar dos "sucessos" da operação, a ONU considera que o Haiti segue demandando apoio da comunidade internacional, a fim de "encontrar mais soluções políticas aos problemas políticos sistêmicos", apontou Lowcock.

    O secretário-geral adjunto para Operações de Paz, Jean Pierre Lacroix, reconheceu que "o contexto atual não é ideal ao fim de quinze anos [de operações]", mas assegurou que o início da missão política marcará uma "renovação do compromisso da ONU com a estabilidade e a prosperidade do país".

    Os progressos alcançados no Haiti durantes esses últimos 15 anos são reais, mas as conquistas ainda são frágeis. O início da missão política irá marcar um renovado compromisso da ONU em favor da estabilidade e da prosperidade do Haiti.

    Participação do Brasil na Missão de Paz no Haiti

    O Brasil liderou a operação de paz desde a sua criação, em 2004, até 2017, quando o Conselho de Segurança da ONU optou por modificar o caráter da operação.

    De acordo com o Itamaraty, a missão representou "o maior desdobramento de tropas nacionais desde a Segunda Guerra Mundial". O MRE também lembra a contribuição brasileira após o terremoto de 2010 e o furacão que atingiu a ilha em 2016.

    Soldado brasileiro em treinamento especial para o trato de tragédias humanitárias, antes de ser enviado ao Haiti
    Soldado brasileiro em treinamento especial para o trato de tragédias humanitárias, antes de ser enviado ao Haiti

    A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) foi chefiada pelo general Augusto Heleno, atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

    A participação destacada do Brasil na missão chegou ao fim em 2017, quando foi criada a Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), que não possui contingente militar e tem como objetivo o fortalecimento institucional e político do país.

    Nesta quarta-feira (16), o Conselho deve reduzir ainda mais o perfil da operação de paz, transformando-a em um escritório de observação integrado.

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    Tags:
    ONU, Conselho de Segurança, Fim da Minustah, Exército Brasileiro, Haiti
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