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    Poderá o Brasil seguir exemplo da Colômbia e evitar desmatamento florestal?

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    Trocar floresta por pastagens, é assim que respondem os governos amazônicos às emergentes demandas econômicas, enquanto destroem a Amazônia.

    No epicentro desta polêmica está o Brasil, onde o presidente Jair Bolsonaro está sendo questionado pelo desmatamento acelerado da floresta amazônica, foi uma realidade histórica na Colômbia.

    No dia 1º de agosto, os governos da Colômbia e Reino Unido chegaram a acordo para implementar um projeto-piloto para combater o desmatamento e a perda de biodiversidade no país nos próximos 12 meses. Para sua execução foram alocados 500 mil dólares provenientes de cooperação internacional.

    Em 2018 a cifra do desmatamento na Amazônia colombiana alcançou os 138.176 hectares, um pouco menor que a área de Bogotá.

    Desmatamento da Amazônia (foto de arquivo)
    © AP Photo / Andre Penner
    Desmatamento da Amazônia (foto de arquivo)

    No entanto, os dados sobre o impacto vêm desde a década de 1960 e têm estado piorando a partir de 2016, após a assinatura do Acordo de Paz. "Até este momento, os produtores destruíram cinco milhões de hectares de floresta amazônica", disse à Sputnik Mundo Uriel Murcia, investigador do Instituto Amazônico de Pesquisas Cientificas (SINCHI).

    Após a saída dos grupos armados, os agricultores e empresários viram uma luz verde para expandir suas extensões, se dedicando a desmatar e ocupar novos territórios. Este processo de expansão da fronteira agrícola tinha ocorrido historicamente no país, mas nos últimos três anos "a subida parecia não ter limites", disse Murcia.

    "O Estado não conseguir tomar o controle destas terras nem dar um destino eficiente, e chegaram estes novos grupos com interesses produtivos que estiveram sempre esperando para entrar em terras novas. Viram isso como uma oportunidade, e sendo que não havia controle de nenhuma entidade, as taxas de desmatamento na Colômbia dispararam", explicou o cientista.

    De acordo com o especialista, a dinâmica deste processo consiste em desmatamento e queima de grandes zonas de floresta para aumentar a fronteira agrícola com o objetivo de preparar as terras para pastagens a favor da produção extensiva de gado, e em algumas zonas para plantação de coca.

    No entanto, apesar dos números chocantes do desmatamento, no ano passado a tendência diminuiu cerca de 17%, "uma percentagem pequena, mas importante", sublinhou Murcia. O Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informou que em 2018 a Colômbia evitou o desmatamento de 40.360 hectares de floresta ameaçados por diferentes práticas ilegais.

    A melhoria pode ser atribuída às ações da Visão Amazônia, um projeto que une várias iniciativas tais como projetos do Fundo Mundial para o Ambiente (EGF) e outras iniciativas nacionais, com base nas quais se cuida da região.

    Desmatamento voltou a crescer na Amazônia nos dois últimos anos
    Wilson dias/Agência Brasil/Fotos Públicas
    Desmatamento voltou a crescer na Amazônia nos dois últimos anos

    O foco da Visão Amazônia está centrado em várias ações, controlando diretamente o desmatamento, uma melhor governança da floresta e o trabalho com as comunidades locais buscando reverter o processo de desflorestação e de preparação do solo para pastagens e os substituindo por outras dinâmicas que não envolvam o fim da floresta.

    Murcia indicou a agrossilvicultura como uma opção viável para as zonas já transformadas, uma ação que pode contribuir ao salvamento natural destes territórios. A Amazônia deve ser vista como uma região orientada para o desenvolvimento da silvicultura.

    "É preciso evitar que a fronteira agrícola avance sobre a floresta, que é claramente o capital principal de que os países amazônicos dispõem para se adaptarem à mudança climática", concluiu o cientista.

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    Tags:
    Brasil, Jair Bolsonaro, Colômbia, desmatamento, Amazônia
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