00:13 23 Setembro 2018
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    Multidões de pessoas protestam em Times Square, Nova York, contra o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Trump, de que ele planeja restaurar a proibição de pessoas transexuais de servir às Forças Armadas dos EUA.

    EUA gastam mais com Viagra para militares que com transgênero? Sim, mas há um porém...

    © REUTERS / Carlo Allegri
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    Um vídeo postado pelo portal Buzzfeed na noite de quinta lançou polêmica nas redes sociais. De acordo com a publicação, as Forças Armadas americanas gastariam dez vezes mais com viagras para os militares que com os tratamentos de transição de gênero feitos por transexuais. A informação está correta, mas faltou mencionar o porquê.

    Após o banimento de militares transexuais das Forças Armadas dos EUA imposto por Trump, muitos foram os que protestaram nas redes sociais contra a decisão. Na noite de ontem, um vídeo do Buzzfeed acendeu a polêmica: são US$84 mi gastos todos os anos com viagras (utilizado para disfunção erétil) contra US$ 8,4 mi usados para a transição de gênero de militares.

    O valor foi inicialmente mencionado pelo Military Times e posteriormente reproduzido. A estimativa mostrava que desde 2011, US$ 294 milhões foram empregados para a compra do medicamento. O gasto, porém, não é injustificado.

    De acordo com a BBC, citando relatórios do próprio Pentágono, apenas 10% das mais de 1,18 milhão de receitas de Viagra requisitadas ao sistema de saúde do Departamento de Defesa, foram feitas para militares na ativa. Os outros 90%, portanto, vêm de oficiais na reserva (a maioria aposentados) e seus familiares que também são cobertos pelo seguro de saúde estatal.

    O problema também é recorrente em jovens militares que retornam de zonas de conflito como o Iraque e o Afeganistão. Um estudo do Serviço de Vigilância de Saúde das Forças Armadas mostrou que mais de 100 mil soldados tinham relatado disfunção erétil ao retornar para casa, metade destes por estresse pós-traumático (PTSD na siga em inglês).

    Reação

    O post rendeu comentários contra e a favor do banimento. Outros criticaram a manipulação de dados do portal.

    Um internauta identificado como Jason Miller criticou dizendo que "embora eu esteja em desacordo com a decisão de Trump de proibir transgêneros nas Forças Armadas, fico realmente aborrecido com o argumento do Viagra. A razão pela qual os veteranos recebem Viagra é a mesma razão pela qual eles recebem medicação para PTSD. Eles têm condições (físicas/mentais) que causam disfunção erétil […] como efeito colateral".

    Jéniffer de León também engrossou o coro de críticas. "O fato de vocês continuarem mostrando indica vocês que não se importam ou você ESQUECERAM sobre nossos veteranos. Existem 21,8 milhões de veteranos e 1,4 milhões de militares na ativa. Faz as contas", afirmou a internauta.

    O vídeo do Buzzfeed, porém, traz uma informação importante: os EUA gastaram US$3,6 mi com cada uma das quatro viagens que Trump realizou ao seu resort Mar-A-Lago na Flórida desde o início do mandato. Embora as viagens tenham sido feitas para receber líderes mundiais, como o presidente chinês Xi Jinping em março, tais encontros poderiam ter sido realizados na Casa Branca como de praxe. Quanto a este fato, não há contra-argumento.

    Tags:
    PTSD, estresse pós-traumático, Viagra, Pentágono, Departamento de Defesa dos EUA, Military Times, Casa Branca, Serviço de Vigilância de Saúde das Forças Armadas, BBC, Forças Armadas dos EUA, Xi Jinping, Jéniffer de León, Jason Miller, Donald Trump, Afeganistão, Iraque, Mar-a-Lago, Estados Unidos, Flórida, China
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