Interesses dos EUA no Ártico e no mar do Sul da China são semelhantes, diz ativista norte-americano

© REUTERS / Yuri GripasA bandeira nacional dos EUA voa sobre o Departamento de Estado em Washington 24 de marco de 2015
A bandeira nacional dos EUA voa sobre o Departamento de Estado em Washington 24 de marco de 2015 - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2021
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Segundo conta o ativista norte-americano Jan R. Weinberg à Sputnik, as atividades militares conduzidas pelos EUA no Ártico e no mar do Sul da China são fraudes, e podem desencadear desnecessários conflitos com a Rússia e a China.

O mesmo aponta que a militarização de rotas marítimas cruciais para o comércio internacional poderá ter consequências negativas não só para os envolvidos, mas também para várias economias.

É já conhecida a rivalidade entre Washington e Moscou em relação às águas do Ártico, sendo estas geoestratégicas para ambos os países. Tanto EUA como Rússia criticam as posições um do outro.

Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA, acusa Moscou de avançar com "reivindicações marítimas ilegais, em particular em sua regulamentação de embarcações estrangeiras em trânsito na Rota Marítima do Norte", disse o secretário citado pela agência Reuters. Em resposta, Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, afirma que "há muito tempo que é absolutamente claro para todos que este [parte do Ártico] é o nosso território, esta é a nossa terra".

Disputa pelo Ártico – um eco persistente da Guerra Fria

Desde 1960 que Washington e Moscou, na época ainda capital da União Soviética, lutam pelo poder sob a Rota Marítima do Norte.

A Rússia argumenta que a maior parte da Rota Marítima do Norte atravessa águas nacionais russas ou a sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE) com regulações nacionais especiais de navegação a serem aplicadas à passagem de embarcações. Contudo, os EUA não concordam com tal afirmação, considerando alguns dos estreitos da rota como internacionais, sob os quais pode ser aplicado o regime de passagem transitória, como previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS, na sigla em inglês).

© Sputnik / Assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Rússia / Abrir o banco de imagensMinistro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante reunião fora do programa do Conselho Ártico em Reykjavik, 19 de maio de 2021
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Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante reunião fora do programa do Conselho Ártico em Reykjavik, 19 de maio de 2021
Em várias ocasiões, os Estados em causa foram capazes de resolver seus conflitos relativos ao território de forma pacífica, mas a criação de uma nova doutrina no Ártico pelo Departamento de Defesa dos EUA – ou Pentágono – tem contribuído para um acumular de tensões entre Washington e Moscou. Por este motivo, o ativista pela paz estadunidense Jan R. Weinberg fundou a organização "Show Up! America" (Mostre-se! América, na tradução), cujo objetivo é o engajamento cívico em questões políticas complexas como a do Ártico, rivalidade com a China, entre outros.

A nova doutrina do Ártico foi adotada, oficialmente em 2019, na qual a Rússia é caraterizada como "competidor estratégico", embora Weinberg note que tal seria um sinônimo para "adversário".

© Foto / Marinha dos EUASubmarinos norte-americanos USS Connecticut e USS Hartford emergem do gelo no Ártico
Interesses dos EUA no Ártico e no mar do Sul da China são semelhantes, diz ativista norte-americano - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2021
Submarinos norte-americanos USS Connecticut e USS Hartford emergem do gelo no Ártico

De acordo com o Pentágono, os interesses dos EUA na região incluem "manter a flexibilidade para a projeção do poder global, incluindo a garantia de liberdade de navegação e de voo". Para esse fim, o Pentágono se compromete a "fortalecer a ordem existente baseada em regras internacionais no Ártico", de modo a "dissuadir competidores estratégicos de atos agressivos específicos, e de buscar unilateralmente mudar as normas que governam o acesso à região".

'Interesses hegemônicos' no mar do Sul da China

O mar do Sul da China é uma região disputada entre o gigante asiático, que reclama cerca de 90% do território, e outras nações vizinhas, várias delas aliadas de Washington.

Apesar dos EUA terem, por várias vezes, afirmado que a sua presença militar na região seria para assegurar a liberdade de navegação e o cumprimento da lei marítima internacional, Weinberg sugere que a sua verdadeira intenção não difere muito de seus planos para o Ártico.

"É evidentemente absurdo [...] que os EUA não tenham ratificado a UNCLOS", observa o ativista. "Não ouvi o secretário de Estado, Antony Blinken, defender que os EUA ratificassem o tratado da UNCLOS, que certamente daria autoridade às suas acusações sobre o uso indevido das alegadas ZEE russas e chinesas."
© AP Photo / Marinha dos EUA / Especialista de comunicação em massa de 2ª classe Kaila V. PetersNavios dos EUA e Japão realizando exercícios no mar do Sul da China
Interesses dos EUA no Ártico e no mar do Sul da China são semelhantes, diz ativista norte-americano - Sputnik Brasil, 1920, 27.05.2021
Navios dos EUA e Japão realizando exercícios no mar do Sul da China

O mar do Sul da China contém um terço do comércio marítimo global, com 80% das importações de energia da China passando por essa hidrovia. Sabendo disto, apesar dos EUA não fazerem parte dos Estados regionais que disputam esta zona com Pequim, seria compreensível o motivo pelo qual Washington se declarou como um "árbitro" e protetor da UNCLOS na região em causa.

Jan R. Winberg conclui que o que a Marinha norte-americana está, de fato, protegendo no mar do Sul da China, são os interesses hegemônicos de Washington, e o mesmo também acontece com o Ártico.
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