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'Brasil e China estão resgatando a normalidade dos governos anteriores', diz especialista

© Foto / Arthur Max / MREO ex-ministro Ernesto Araújo, durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em 7 de agosto de 2019
O ex-ministro Ernesto Araújo, durante audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, em 7 de agosto de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 06.04.2021
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Em reunião digital, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, se reuniu nesta segunda-feira (5) com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e se comprometeu com a importação de insumos chineses para a produção de vacinas contra a COVID-19.

De acordo com José Ricardo dos Santos Luz Júnior, diretor-executivo do LIDE China (Grupo de Líderes Empresariais), este já é um sinal de que a saída do chanceler Ernesto Araújo vai ajudar a normalizar as relações entre Brasil e China.

"A exoneração do embaixador Ernesto Araújo contribuiu para pacificar as relações Brasil-China" afirma Luz Júnior, em entrevista à Sputnik Brasil nesta terça-feira (6).

Também nesta terça-feira (6), o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, o embaixador Carlos Alberto Franco França, tomou posse e fez seu primeiro discurso. Franco França enfatizou o diálogo multilateral, elogiou o Mercosul, defendeu o combate à pandemia como prioridade e citou três urgências: a da saúde, a da economia, e a do desenvolvimento sustentável.

O discurso de Franco França tem um claro contraste com a postura de Ernesto Araújo, que chegou a dizer, por exemplo, que é necessário barrar a ascensão do "tecnototalitarismo" de países com "diferentes modelos de sociedade", sem citar a China.

"A China não vê o Brasil em um mandato de quatro anos. A China tem o Brasil como parceiro estratégico global desde 2012. […] É um relacionamento ganha-ganha, entre nações amigas, e isso converge para um ambiente propício para o desenvolvimento de relações bilaterais", avalia o especialista.

Dimas Covas alerta: insumos podem atrasar

Apesar da conversa entre Wanming e Queiroga, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, alertou nesta terça-feira (6) para a possibilidade de atraso na produção da CoronaVac pelo Instituto Butantan. O motivo seria o aumento no ritmo da vacinação na China, que passaria a dar mais ênfase ao mercado interno.

"A demanda da SinoVac, hoje, é muito grande, inclusive pelo próprio governo chinês. […] A China pretende vacinar de 60 a 80% das pessoas até meados de 2022. Isso significa quase um bilhão de pessoas", diz o analista.

Mesmo com um eventual atraso, o governo federal dá mostras de querer pacificar sua relação com a China. Além da conversa entre Queiroga e Wanming, o presidente da Câmara Arthur Lira pediu ao governo chinês "um olhar amigo, humano, solidário" em prol da vacinação em massa de brasileiros.

"Estou convicto que Brasil e China estão resgatando a normalidade dos governos anteriores. […] A China tem atendido adequadamente os pleitos do Brasil em um momento em que diversos países têm solicitado o fornecimento das vacinas, e a China continua estendendo a mão ao Brasil no sentido de ser uma nação parceira amiga, que tem o interesse de desenvolver negócios e relacionamento saudável com o Brasil", diz Luz Júnior.
© AP Photo / Ng Han GuanFuncionária da Sinovac trabalha na produção de vacinas CoronaVac em Pequim, na China, em 24 de setembro de 2020
'Brasil e China estão resgatando a normalidade dos governos anteriores', diz especialista - Sputnik Brasil, 1920, 06.04.2021
Funcionária da Sinovac trabalha na produção de vacinas CoronaVac em Pequim, na China, em 24 de setembro de 2020

O especialista lembra ainda que o presidente da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) é o vice-presidente da República, Hamilton Mourão. A COSBAN é uma importante ponte nas relações entre Brasil e China.

"Há uma possibilidade de avançarmos neste diálogo com o uso deste mecanismo político [a COSBAN]. […] Inclusive para que haja a possibilidade de expansão do fornecimento de vacinas e insumos", afirma Luz Júnior.

O futuro das relações Brasil-China

Em 2018 e 2019, Brasil e China acumularam um montante de US$ 100 bilhões (R$ 559 bilhões) negociados anualmente, entre importações e exportações. Em 2020, mesmo com a pandemia, este número foi ligeiramente maior: US$ 101 bilhões (R$ 564 bilhões).

Também no último ano, 34% de toda a produção agrícola brasileira foi exportada para a China. Por isso, o analista não vê grandes motivos para que as relações entre Brasil e China esfriem.

"Há uma série de tecnologias que o Brasil pode absorver da China para desenvolver o nosso país. Para isso, temos de aumentar o diálogo e intensificar a parceria entre os países", afirma o especialista.
© AP Photo / Ng Han GuanExibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019
'Brasil e China estão resgatando a normalidade dos governos anteriores', diz especialista - Sputnik Brasil, 1920, 06.04.2021
Exibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019

As prioridades no comércio entre Brasil e China serão traçadas no Plano Decenal Brasil-China 2022-2031, que será anunciado nos próximos meses. Neste plano, as inovações tecnológicas (como o 5G e a inteligência artificial) e a ferrovia bioceânica devem ser os destaques, além da CoronaVac. 

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