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Bolsonaro repudia isolamento: 'Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?'

© REUTERS / Ueslei MarcelinoPresidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília, 24 de fevereiro de 2021
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília, 24 de fevereiro de 2021  - Sputnik Brasil, 1920, 04.03.2021
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Após o Brasil registrar recorde de mortes pela COVID-19, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a pandemia e as medidas de isolamento que voltaram a ser impostas pelo país: "Chega de mimimi", disse ele.

Na quarta-feira (3) o país contabilizou 1.910 óbitos pelo coronavírus, pior dia da pandemia até o momento. No dia anterior, o Brasil já havia batido o recorde negativo de mortes registradas em 24 horas, com 1.641 óbitos. 

Nesta quinta-feira (4), em discurso para produtores rurais na cidade de São Simão, em Goiás, o presidente criticou as medidas de isolamento que estão sendo retomadas para conter a disseminação da COVID-19. 

"Vocês não ficaram em casa, não se acovardaram. Nós temos que enfrentar nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades. Mas onde vai parar o Brasil se só pararmos?", disse Bolsonaro, segundo o jornal O Globo. 

'Até quando vão ficar dentro de casa'

A prefeitura do Rio de Janeiro decretou toque recolher em bares e restaurantes a partir desta sexta-feira (5). Os estabelecimentos vão ter que fechar entre às 17h e 5h. Em São Paulo, o governador João Doria anunciou que apenas serviços essenciais poderão abrir. 

As medidas são uma forma de tentar conter a alta de casos e mortes da COVID-19, que causam lotação de hospitais e leitos de UTIs. 

"Até quando vão ficar dentro de casa, até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso. Lamentamos as mortes, repito, mas tem que ter uma solução. Tudo tem que ter um responsável", afirmou Bolsonaro. 

Em seguida, ele disse que se a economia for destruída não haverá como comprar vacinas. 

"Lamento as mortes, repito. Antes que comecem a falar por aí, essa imprensa, que eu estou ignorando mortes e pensando em economia. Por que vocês não ouvem falar de vacina em países da África? Ou em alguns países aqui da América do Sul? Porque não tem dinheiro. Não tem economia, então não tem vacina. Se nós destruirmos nossa economia, podem esquecer um monte de coisa", argumentou. 

Autoridade 'castrada'

Bolsonaro disse ainda que sua autoridade foi "castrada" e apelou para prefeitos e governadores não adotarem medidas restritivas. O isolamento social é recomendado por especialistas e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como forma de conter a rápida disseminação do coronavírus. 

"Eu apelo aqui, já que me foi castrada a autoridade, para [que] governadores e prefeitos repensem a política do fechar tudo. O povo quer trabalhar! Venham para o meio do povo, conversem com o povo! Não fiquem me acusando de fazer aglomeração, aqui tem aglomeração, em todo lugar tem", afirmou o presidente. 
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