Com nova administração, Tesouro dos EUA se prepara para 'colapso' do dólar?

© REUTERS / Carlo AllegriFILE PHOTO: A Wall Street sign is pictured outside the New York Stock Exchange in the Manhattan borough of New York City, New York, U.S., October 2, 2020.
FILE PHOTO: A Wall Street sign is pictured outside the New York Stock Exchange in the Manhattan borough of New York City, New York, U.S., October 2, 2020. - Sputnik Brasil
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Nos últimos dois anos, o dólar caiu para seu nível mais baixo devido a vários fatores, e analistas financeiros acreditam que a moeda acabará perdendo metade de seu valor com a administração Biden.

No final de 2020, o índice do dólar caiu mais de 5%, e os investidores estão alarmados com as injeções em larga escala de dólares recém-impressos e sem garantia na economia dos EUA.

A taxa de crescimento da oferta de dinheiro não caiu abaixo de 22% anualmente desde junho, a taxa mais alta da história, e a impressão inevitavelmente impulsionará a inflação, embora o Sistema de Reserva Federal (Fed, na sigla em inglês) já tenha mudado a meta para "uma média de 2%" ao invés dos "2%" anteriores. Esta medida está em vigor para não aumentar a taxa de juros se a inflação exceder as expectativas, o que apoiará a economia, mas terá um impacto negativo sobre o dólar.

Após a perda de rentabilidade dos investimentos em ativos em dólares, os investidores estão procurando outras opções, embora mais arriscadas, relata a agência Reuters.

"No curto prazo, o motor subjacente a tudo é a fraqueza do dólar, porque o capital é atraído por lugares que são movidos pela vacina, impulsionados pela política fácil do Fed e, de fato, ajudados por quão baixas são as taxas [de juros] dos EUA", disse Kit Juckes, chefe da estratégia de negociação de câmbio do banco Société Generale.

Especialistas têm advertido desde novembro de 2020 que sob Joe Biden a moeda norte-americana cairá inevitavelmente à medida que os democratas planejam um estímulo fiscal adicional e um novo pacote de ajuda de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões), que enfraqueceria o dólar no longo prazo, levaria a déficits orçamentários mais altos, e a um aumento dos empréstimos estrangeiros necessários para cobri-los.

Más previsões

O banco Citigroup estimou que "aumentará seriamente" a probabilidade de uma desvalorização de 20% do dólar até 2021, um cenário também expresso pelo banco de investimentos Morgan Stanley, que previu um mergulho de 10%.

Por sua vez, o especialista James Rickards sugere no portal Meaww um cenário econômico mais sombrio que a moeda americana terá que passar para enfrentar sua dívida.

"O ouro vai para US$ 15.000 a onça, e a propósito, essa é minha previsão [...] A prata será de três dígitos (US$ 100 [R$ 546,71] ou mais por onça). A deflação é um problema maior do que a inflação, e todos odeiam a inflação, mas você precisa da inflação [...]. A coisa a fazer é esvaziar a dívida. A dívida é de 22 trilhões de dólares [...] vamos desvalorizar o dólar em 50%, e é isso que você tem que fazer", explicou ele.

Enquanto isso, o Tesouro dos EUA pode acabar sendo dirigido por Janet Yellen, que, lembra a agência Bloomberg, nunca "anunciou uma única vez os benefícios de um dólar fraco para as exportações dos EUA".

"Os EUA não procuram uma moeda mais fraca para obter vantagem competitiva, e devemos contrariar as tentativas de outros países para fazê-lo", disse Yellen.

A Bloomberg acredita que este é um sinal para os investidores de uma tendência de baixa do dólar a longo prazo e, segundo especialistas, os EUA terão que desvalorizar o dólar de qualquer forma porque é importante reduzir o déficit comercial, podendo ser essa a única maneira da administração de Joe Biden de restaurar a economia dos EUA.

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