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ONG dos EUA critica envio de tropas de Bolsonaro à Amazônia: 'Quer abrir a floresta aos negócios'

© Folhapress / Lilo ClaretoMilitares participam no Pará de treinamento contra incêndios na Amazônia
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O Rainforest Fund, uma organização não-governamental sediada nos EUA e co-fundada pelo cantor britânico Sting, condenou a decisão do presidente Jair Bolsonaro de enviar tropas para Amazônia, dizendo que militares não têm os conhecimentos necessários para prevenir incêndios florestais.

Na semana passada, Bolsonaro autorizou o envio de Forças Armadas na tentativa de impedir a destruição da Floresta Amazônica. Sob a ordem presidencial, os militares agora têm autoridade para coordenar as atividades do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

"Bolsonaro é inflexível em abrir a Amazônia aos negócios, pois encoraja madeireiros, mineiros e fazendeiros ilegais a ocupar a floresta de acordo com sua política pró-desenvolvimento. Enviar os militares para parar os incêndios é o primeiro passo [...] para afastar o Ibama", declarou a presidente do conselho da ONG, Franca Sciuto, à Sputnik.

"Ele [Bolsonaro] está revertendo a fiscalização ambiental de rotina, sem conceder financiamento. De fato, ele assinou uma ordem que concede aos militares a coordenação das atividades do Ibama. É claro que ele está seguindo seus planos de desenvolvimento, estabelecendo uma rede para seu sucesso. Mas esperamos que ele seja detido antes", acrescentou.

Em vez de enviar os militares para a Amazônia, Bolsonaro precisa liberar mais fundos para as agências ambientais do país e "deixar a polícia ambiental fazer o seu trabalho", observou a ativista.

© REUTERS / Bruno Kelly / File PhotoÍndio yanomami acompanha agente do Ibama em operação contra a mineração ilegal no setor de Roraima da Amazônia
ONG dos EUA critica envio de tropas de Bolsonaro à Amazônia: 'Quer abrir a floresta aos negócios' - Sputnik Brasil
Índio yanomami acompanha agente do Ibama em operação contra a mineração ilegal no setor de Roraima da Amazônia
"O futuro para as comunidades indígenas da região amazônica é sombrio e precisa de todo o apoio da opinião pública brasileira e da comunidade internacional. A questão não é puramente de policiamento, mas precisa de uma estratégia muito mais ampla que analise os incentivos ao policiamento público que promovam desmatamento e envolve atores econômicos e da sociedade civil, especialmente comunidades locais, na busca e implementação de soluções de longo prazo para detê-lo", prosseguiu Sciuto.

Bolsonaro tem sido constantemente criticado por ativistas ambientais em todo o mundo pelo manejo inadequado dos incêndios florestais na Amazônia no ano passado e por suas tentativas de privar a comunidade indígena brasileira de suas terras na região.

Em 29 de abril, um projeto do Greenpeace, o Unearthed, informou que o governo Bolsonaro estava usando o surto de COVID-19 como uma distração para aprovar leis que oferecem anistia em terras apreendidas e desmatadas e reduzir a proteção oferecida aos povos indígenas.

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