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Bolsonaro anuncia corte de impostos para medicamento sem eficácia comprovada contra COVID-19

© AP Photo / Andre BorgesJair Bolsonaro coloca uma máscara durante coletiva no Palácio do Planalto
Jair Bolsonaro coloca uma máscara durante coletiva no Palácio do Planalto - Sputnik Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro anunciou na manhã desta quinta-feira a isenção de impostos de importação de duas substâncias que até o momento não têm eficácia comprovada no combate contra o novo coronavírus.
"Com o objetivo de facilitar o combate ao coronavírus, zeramos o Imposto de Importação da cloroquina e da azitromicina, para uso exclusivo de hospitais em pacientes em estado crítico. Essa redução também se estende a outros produtos e vai fazer toda a diferença em nossa luta!", escreveu o presidente em suas redes sociais.

Bolsonaro ainda anunciou a suspensão temporária dos direitos antidumping para importações de seringas descartáveis e tubos para coleta de sangue.

"Assim, poderemos adquirir esses equipamentos essenciais por preços menores e deixá-los acessíveis para a população mais vulnerável", acrescentou o mandatário brasileiro.

O uso da cloroquina, uma droga utilizada originalmente contra a malária, o lúpus e a artrite, e do antibiótico azitromicina não são reconhecidas pela comunidade científica como comprovadamente eficazes no combate à COVID-19 até aqui.

Alinhamento com Trump

O que iniciou o frisson em torno das duas substâncias foi um estudo francês publicado no começo de março na revista International Journal of Antimicrobial Agents. Com uma amostragem diminuta de pacientes, o estudo apontou que a cloroquina e a sua derivada, a hidroxicloroquina, como "armas disponíveis na luta contra o coronavírus".

Por outro lado, nesta semana um estudo chinês destacou que a hidroxicloroquina se mostrou ineficaz no tratamento da pandemia, apresentando dados semelhantes ao tratamento regular. Embora tais trabalhos iniciais se mostrem conflitantes, foi o bastante para o presidente dos EUA, Donald Trump, exaltar as substâncias como eficazes contra o novo coronavírus.

Bolsonaro seguiu o seu alinhamento com Trump e passou a exaltar a cloroquina, afirmando que determinou o aumento da produção da substância no Brasil. Ele ainda citou o trabalho de estudo da cloroquina e derivados que está sendo feito pelo Hospital Albert Einstein. Na quarta-feira, um médico envolvido no trabalho pediu calma.

"Por enquanto é apenas uma ilusão, tanto para [Bolsonaro] quanto para Trump [...] Em algumas semanas, com um pouco de sorte, poderemos dizer, primeiro se funciona, depois para quem trabalha e em que condições. Estou torcendo para que funcione, eu e todos os outros", declarou Luiz Vicente Rizzo, médico do Hospital Albert Einstein.
© AP Photo / Gabinete dos Advogados dos EUAComprimidos de hidroxicloroquina estão sendo tratados como a "salvação" contra a COVID-19
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Comprimidos de hidroxicloroquina estão sendo tratados como a "salvação" contra a COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um estudo internacional intitulado Solidariedade, no qual a comunidade científica internacional colabora na busca por substâncias que possam ajudar no combate ao coronavírus. O trabalho, porém, não apresenta conclusões até o momento.

Quatro dias após dizer que a cloroquina poderia causar lesões auditivas sérias, incluindo a surdez, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e sua equipe liberaram o uso da cloroquina em pacientes graves hospitalizados.

"Estamos deixando a cloroquina à mão do médico como mais um reforço no atendimento a paciente grave hospitalizado", afirmou o ministro. O medicamento é chamado pela pasta como "alternativa terapêutica de curto prazo", e não deve ser usado por mais do que cinco dias.

Nos Estados Unidos, um homem que se medicou com cloroquina sem orientação médica morreu nesta semana.

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