Economista francês alerta: 'Nos espera o mesmo que aconteceu na Venezuela'

© REUTERS / Andrew KellyFuncionário da Bolsa de Nova York (NYSE) na cidade de Nova York, nos EUA, em 11 de março de 2020
Funcionário da Bolsa de Nova York (NYSE) na cidade de Nova York, nos EUA, em 11 de março de 2020 - Sputnik Brasil
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Dois economistas franceses analisaram a situação nos mercados mundiais na sequência das medidas tomadas pela Reserva Federal dos EUA e pelo Banco Central Europeu em meio à propagação do coronavírus nos EUA e na Europa.

"Os bancos centrais estão em um impasse. Já não podem jogar com as taxas, então começaram a comprar ativos ou dívidas públicas, sobretudo no âmbito de uma política de flexibilização quantitativa, para que haja liquidez. Mas a crise é tão forte que isso não funciona mais", explica Philippe Herlin, economista e colunista do portal Or.fr.

"É preciso entender que antes da epidemia de coronavírus ter surgido, a confiança nos bancos centrais já estava severamente comprometida. Os investidores perceberam que os bancos, com suas taxas baixas ou até mesmo negativas, estavam paralisados e que suas mãos estavam atadas. Todos aqueles que entendiam, já sabiam que tal situação poderia conduzir a uma explosão em caso de crise. E isto aconteceu com o coronavírus, que é um verdadeiro cisne negro", acrescentou.

De acordo com ele, a reação moderada dos mercados apenas confirma a "perda de confiança nos bancos centrais", o que, em suas palavras, é "muito ruim", porque leva a uma "perda de confiança na moeda".

Especialista em obrigações da empresa Aviva Investors, Julien Rolland diz que "o Banco Central Europeu confirma seu compromisso com o nível das taxas e afirma que continuará a implementar outras medidas e que não há limite para o que pode fazer".

Estas medidas seriam apenas o começo?

"Isto é uma loucura. Na minha opinião, para lidar com a crise é necessário agir, não a este nível, mas ao nível dos governos. A propósito, estes últimos estão fazendo um bom trabalho, inclusive têm que improvisar muito. As medidas tomadas em França, na Alemanha, nos EUA estão na direção certa: os prazos de pagamento de impostos estão sendo adiados, há auxílio para empresas em risco de falência", avança Herlin.

Por outro lado, o economista observa que quando os bancos centrais liberam dinheiro, existe o risco de os preços saírem do controle, criando uma hiperinflação.

"Espera-nos o mesmo que aconteceu na Venezuela. Estamos enfrentando uma recessão causada pelas medidas destinadas para conter a epidemia, e isto será seguido por uma recessão econômica. Não pense que nós podemos recuperar disto em poucas semanas. Se os bancos centrais começarem a imprimir dinheiro, creio que a inflação pode voltar. Isto conduzirá a uma situação extremamente difícil porque se os preços saírem do controle, as taxas de juros aumentarão automaticamente. Isto é um desastre em um mundo onde os Estados e as entidades econômicas têm dívidas tão grandes", conclui Herlin.

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