03:08 24 Outubro 2020
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    Se não tomar as medidas econômicas necessárias em uma ação coordenada, a Europa correrá sério perigo de ver repetida a grande crise financeira de 2008, cujos reflexos ainda hoje subsistem.

    A advertência é de Christine Lagarde, em uma teleconferência na noite de terça-feira (10) com os líderes da União Europeia, citada pelo Bloomberg.

    Segundo a antiga líder do FMI, a Europa corre o risco de um grande choque econômico que ecoa a crise financeira global, a menos que os líderes atuem urgentemente sobre a epidemia do coronavírus.

    Lagarde adiantou que da parte do Banco Central Europeu (BCE) serão tomadas as primeiras medidas nesta quinta-feira, dia 12.

    "Com a resposta certa, o choque provavelmente será temporário", disse Lagarde.

    As medidas a tomar pelo BCE serão especialmente de financiamento "superbarato" e de garantia que a liquidez e o crédito não faltarão, acrescentou.

    Contudo, ela alertou para o fato de as medidas do banco central poderem se revelar ineficazes se não forem acompanhadas por medidas adequadas dos governos.

    As declarações de Lagarde ocorreram pouco antes de o Banco de Inglaterra se tornar o último banco central a tomar medidas de emergência.

    O controlador financeiro do Reino Unido anunciou um corte na taxa de juros de 50 pontos base, a partir desta quarta-feira (11), juntamente com medidas para ajudar a concessão de crédito, afirmando ter ainda margem de manobra para futuras medidas.

    "Não há razões para este choque repetir a experiência de 2008", disse Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra, citado pela Bloomberg.

    Opções do BCE

    Os economistas vêm as opções do BCE como incluindo uma versão de o programa existente de oferta de empréstimos a longo prazo aos bancos a taxas de juro potencialmente negativas, o que significa pagar aos bancos para eles pedirem dinheiro emprestado, na condição de celebrarem contratos de mútuo com empresas e famílias.

    Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), discursa no Fórum de Paris no dia 7 de maio de 2019.
    © AP Photo / Francois Mori
    Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), discursa no Fórum de Paris no dia 7 de maio de 2019.

    Esta estratégia serviria igualmente para incentivar empréstimos a pequenas e médias empresas, caso vejam os fluxos de caixa secarem à medida que o vírus perturbe a economia.

    O que dizem os analistas da Bloomberg

    "Muitas empresas na área do euro já estão sentindo os efeitos da propagação do coronavírus, mas as mais pequenas podem precisar de mais apoio", devendo o BCE lançar medidas que ajudem a "evitar falências generalizadas", opinam os especialistas da Bloomberg.

    O BCE poderia também intensificar seu programa de compra de ativos, direcionando-o para a compra de dívida empresarial para obter uma redução dos custos de financiamento das empresas.

    Os investidores esperam um corte de taxas, possivelmente na ordem dos 10 pontos base, dado a taxa de referência já ter atingido o nível recorde de -0,5%.

    A Reserva Federal dos EUA e o Banco do Canadá reduziram a taxa em 50 pontos na semana passada, logo após os líderes do G7 se comprometerem a usar "todas as ferramentas políticas apropriadas" para proteger suas economias, informa a Bloomberg.

    Crescimento mais fraco

    A economia da área do euro deverá crescer apenas 0,8% este ano. Para o economista Simon Wells, do banco britânico HSBC, citado pela mídia, "uma recessão na zona do euro parece inevitável".

    A Itália, onde a quarentena foi estendida a todo o território, é o país europeu cuja economia mais está sofrendo, correndo risco de paralisia.

    Na mesma conversa por videoconferência, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, apelou aos líderes da UE para adotarem a mesma determinação e solidariedade demonstrada durante a crise de dívida da Europa.

    Esta quarta-feira (11), o ministro italiano das Finanças, Roberto Gualtieri, afirmou que o governo aumentou para € 25 bilhões (R$ 131,5 bilhões) a quantia que planeja injetar na economia.

    Lagarde terminou a conversa advertindo que os danos provavelmente se estenderiam a outros países.

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    Tags:
    Banco Central Europeu, novo coronavírus, crise econômica, crise
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