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Bolsonaro comete 'grande erro' ao recusar dinheiro do G7, diz cientista política

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A recusa do dinheiro do G7 para combater os incêndios na Amazônia mostra que Jair Bolsonaro (PSL) mantém o seu o "tom conflitivo" da campanha, avalia a cientista política Ariane Roder.

Professora do Instituto Coppead de Administração da UFRJ, Roder diz que Bolsonaro comete um "grande erro" ao dizer não ao dinheiro e também causa um "constrangimento diplomático" desnecessário enquanto a economia brasileira patina e poderia se beneficiar do acordo entre Mercosul e União Europeia. 

Macron e Jair Bolsonaro (PSL) trocaram farpas publicamente nos últimos dias. O presidente francês critica a política ambiental do Brasil, levantou a bandeira da discussão do assunto durante a cúpula do G7 e chegou a falar sobre a possibilidade da Amazônia ter um "status internacional".

O G7 concordou em fornecer ajuda de €20 milhões (cerca de R$ 92 milhões) para combater os incêndios na Amazônia.

Em um primeiro momento, Bolsonaro condicionou aceitar os recursos a um pedido de desculpas de Macron, que acusou o presidente brasileiro de mentir sobre seu compromisso ambiental. 

Posteriormente, o porta-voz da presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que "quaisquer recursos" serão "bem-vindos", mas ressaltou que a governança do dinheiro será brasileira. 

A Amazônia registra em 2019 sua maior onda de queimadas dos últimos cinco anos. A cifra é de levantamento do Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia (IPAM) com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Foram 71.497 focos de incêndio entre os dias 1 de janeiro e 18 de agosto deste ano, número 82% maior do que o registrado no mesmo período de 2018.

Os números do desmatamento na Amazônia também estão aumentando. 

"O Brasil tem perdido projeção internacional significativamente na área econômica e do meio ambiente", diz Roder à Sputnik Brasil. "As relações diplomáticas podem ser destruídas rapidamente, mas demoram muitos anos para serem restabelecidas de fato."

Ainda de acordo com a professora da UFRJ, a Bolsonaro busca "desconstruir" uma liderança brasileira no campo ambiental. 

"O Brasil é uma potência ambiental e a gente não discute isso. O país vem, pelo menos desde a Eco 92 [conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992], tentando construir internacionalmente, e também no campo doméstico, uma política ambiental mais engajada e proativa, assumir certa liderança internacional no tema."

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