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Bolsonaro quer embargar dados oficiais sobre desmatamento na Amazônia

© NELSON ALMEIDAVista aérea de plantações ao lado do Cerrado, no município de Formosa do Rio Preto, Bahia
Vista aérea de plantações ao lado do Cerrado, no município de Formosa do Rio Preto, Bahia - Sputnik Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro manifestou nesta segunda-feira sua disposição de conhecer primeiro, antes da divulgação pública, os dados oficiais sobre o desmatamento da Amazônia, como os elaborados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

A divulgação destes dados sem supervisão prévia, na opinião dele, dá má imagem do Brasil e é prejudicial à economia.

"Você pode divulgar os dados, mas tem que passar pelas autoridades para não se surpreender; até para mim, essa informação tão importante não pode me surpreender", disse Bolsonaro, citado pelo jornal Folha de S. Paulo.

O presidente acrescentou que "as informações devem chegar ao nosso conhecimento para que possamos tomar as decisões precisas com base nessas informações".

O presidente afirmou ainda que os dados não podem ser divulgados sem mais porque podem causar "enormes prejuízos ao Brasil", já que "todo mundo" leva em conta a questão ambiental.

"Outros países, com os quais estamos negociando a questão do Mercosul, ou mesmo um acordo bilateral, dificultam [as negociações] com a divulgação desses dados", declarou Bolsonaro.

Nas últimas semanas, líderes mundiais como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ou o presidente da França, Emmanuel Macron, expressaram preocupação com a política ambiental do governo Bolsonaro.

© AFP 2021 / Lunae ParrachoDesmatamento volta a crescer na Amazônia
Bolsonaro quer embargar dados oficiais sobre desmatamento na Amazônia - Sputnik Brasil
Desmatamento volta a crescer na Amazônia

O presidente francês alertou que não conseguiria acordos com quem não cumprir o Acordo de Paris contra o aquecimento global, que no caso do Brasil exige que o desmatamento ilegal na Amazônia seja encerrado em 2030, algo cada vez mais improvável.

Na semana passada, o INPE informou que nos primeiros 15 dias de julho, mais de 1 mil quilômetros quadrados de floresta foram desmatados, 68% a mais do que no mesmo período de 2018.

Bolsonaro criticou o diretor do INPE, Ricardo Galvão, sugerindo que ele estaria "a serviço de alguma ONG" e disse que mobilizaria o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, para pedir explicações.

O INPE é ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e os dados que ele produz, captando imagens da Amazônia via satélite, são enviados diariamente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão que controla os crimes ambientais.

Não é a primeira vez que Bolsonaro ou membros de seu governo questionam dados oficiais. A metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi anteriormente direcionada ao preparar dados sobre o desemprego.

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