Este ano poderá ser o último para existência do G7?

© REUTERS / Jonathan ErnstPresidente dos EUA, Donald Trump, conversa como presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, premiê alemã, Angela Merkel, premiê italiano, Paolo Gentiloni, presidente da França, Emmanuel Macron, premiê do Canadá, Justin Trudeau e premiê britânica, Theresa May, durante a cúpula do G7 em Taormina, na Itália
Presidente dos EUA, Donald Trump, conversa  como presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, premiê alemã, Angela Merkel, premiê italiano, Paolo Gentiloni, presidente da França, Emmanuel Macron, premiê do Canadá, Justin Trudeau e premiê britânica, Theresa May, durante a cúpula do G7 em Taormina, na Itália - Sputnik Brasil
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Hoje (8), na província canadense de Quebec começa a cúpula do G7 que pode acabar sendo uma das mais dramáticas na história do grupo. O Canadá, os EUA, o Japão, o Reino Unido, a Itália, a França e a Alemanha vão discutir as tarifas estadunidenses e o futuro do acordo iraniano.

Entretanto, o colunista da Sputnik, Maksim Rubchenko, assinala que em princípio a pauta terá como foco o futuro do Ocidente unido.

'Desamigamento' dos EUA

Formalmente, a agenda da cimeira canadense inclui muitas questões — desde a luta contra a desigualdade de gênero até aos problemas climáticos. Contudo, não há dúvida nenhuma que os temas principais serão as tarifas norte-americanas para as importações de aço e alumínio e a saída estadunidense do acordo nuclear com o Irã.

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As decisões pessoais de Donald Trump levaram a um conflito doloroso entre Washington e seus aliados tradicionais. Na sequência disso, segundo reparou o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, Quebec vai sediar uma reunião do G6 junto com os EUA, que se manifestaram contra todos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, conseguiu agravar ainda mais o ambiente nas vésperas da cimeira, realizando conversações extremamente infrutíferas com o presidente francês e premiê canadense por telefone.

Os europeus, por sua vez, também botaram lenha na fogueira ao enviar uma carta ao secretário de Estado, Mike Pompeo, exigindo retirar as empresas europeias dos setores-chave da economia — energia, construção de carros, aviação civil — das sanções anti-iranianas.

Já em Quebec, Trump terá que se encontrar cara a cara com seus oponentes, pois os aliados estadunidenses no G7 estão preparados para negociações duras e não planejam ceder. Emmanuel Macron, presidente francês, por exemplo, prometeu que a França não assinaria um comunicado final do G7 até que fossem resolvidas as discordâncias com os EUA em relação às tarifas sobre vendas de aço e alumínio, ao acordo nuclear com o Irã e ao acordo climático de Paris.

A chanceler alemã, Angela Merkel, por sua vez, disse na véspera da partida para o Canadá que ninguém quer "um compromisso pelo compromisso" e propôs que os líderes dos países do G7 não insistissem em adotar um comunicado final sem um consenso real.

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Tarifas como resposta às tarifas

As oportunidades de "retornar o bom senso às autoridades dos EUA" existe, pois os oponentes de Trump têm argumentos sólidos. Em 6 de junho, a União Europeia anunciou para breve a introdução de tarifas para as impostações estadunidenses de jeans, cigarros, uísque, motos e outros artigos no valor total de 2,8 bilhões de euros. Mais tarde, se planeja aumentar essa soma até 6,4 bilhões.

Já o Canadá, maior vendedor de aço para os EUA, comunicou na semana passada sobre introdução de tarifas sobre importações de produtos norte-americanos no valor total de quase 13 bilhões de dólares.

Além disso, são cada vez mais fortes as críticas a Trump no seu próprio país. Os construtores de carros, aviões e equipamentos militares se queixam do aumento das despesas com a compra de materiais.

A guerra comercial, travada por Donald Trump contra todo o mundo, acarretou problemas políticos para ele próprio. Alguns senadores até prepararam um projeto de lei, de acordo com o qual o presidente dos EUA só tem direito de introduzir novas tarifas com autorização do parlamento.

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Os autores do documento argumentaram tal necessidade por "as ações do presidente afetarem os interesses dos aliados-chave de Washington e minarem relações amistosas tradicionais".

Da divisão ao colapso

Qualquer que seja o resultado do G7 neste ano, parece que podemos esquecer a antiga unidade do Ocidente. Os políticos europeus dizem abertamente que já não consideram os EUA como aliado.

"Os tempos em que a Europa podia contar completamente com os outros já passaram", disse Merkel. "Além dos problemas antigos, surge o novo conflito relacionado com a guerra comercial após Washington ter introduzido tarifas sobre as importações de aço e alumínio dos países-membros", adiantou.

Ao mesmo tempo, Merkel manifestou pela primeira vez seu apoio a uma antiga ideia do presidente francês, "pois a Europa já não pode contar com a proteção por parte dos EUA, que controlam de fato as tropas da OTAN".

Além disso, recentemente se começou a falar sobre a possível criação de um "eixo europeu-canadense" em meio a discordâncias com a Casa Branca.

Por isso, resume o autor, a próxima cúpula do clube das maiores economias no mundo pode bem ficar privada da presença estadunidense.

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