15º aniversário: como EUA tentaram combater Al-Qaeda, mas provocaram criação do Daesh

© AP Photo / Maya AlleruzzoSoldados norte-americanos em Mossul, Iraque
Soldados norte-americanos em Mossul, Iraque - Sputnik Brasil
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Em 2003, as tropas norte-americanas e forças da coalizão anti-iraquiana deram início à operação militar para invadir o Iraque. Este ano é marcado pelo 15º aniversário desde o começo da luta contra a Al-Qaeda e o estabelecimento da democracia.

Neste contexto, vários especialistas comentam à Sputnik Árabe que méritos conseguiram atingir os Estados Unidos durante sua operação de 15 anos contra o terrorismo nesse país localizado no Oriente Médio.

Ao lutar com Al-Qaeda, EUA contribuíram para surgimento do Daesh

Depois do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, os EUA declararam que todo o mundo está na zona de seus interesses e iniciaram a guerra contra o terrorismo. Em particular, em 2003 eles lançaram uma operação militar contra a Al-Qaeda (organização terrorista proibida em vários países, incluindo a Rússia) no Iraque. No entanto, logo depois se revelou que não havia representantes desta organização no país, mas com a invasão norte-americana o número de atentados terroristas aumentou significativamente.

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O chefe do Centro de Pesquisas Árabes em Genebra, Riyad Saidawi, declarou à Sputnik que, quando em 2003 os EUA ocuparam Iraque, eles "realizaram um ataque contra as forças de segurança, inteligência e exército do país. Este espaço ficou vazio. Para dar resposta aos ocupantes, no Iraque foi formado um movimento de resistência. Tais condições criaram solo propício para os extremistas em termos de agitação e aumento do número de seguidores. Eles conseguiram obter armas que eram fáceis de adquirir".

Ao mesmo tempo, o especialista adicionou que as ações dos EUA "provocaram um nível inimaginável de tensões e oposição na comunidade iraquiana, primeiramente, de base religiosa".

De acordo com o especialista egípcio em organizações extremistas Ahmed Ban, a invasão norte-americana também contribuiu para a aproximação entre vários movimentos e grupos armados que finalmente resultou na criação do Daesh (organização terrorista proibida em vários países, incluindo a Rússia), "que posteriormente tomou controle da maior parte do Iraque e saiu para fora de suas fronteiras".

Nesta conexão, ele acredita que "os crimes dos norte-americanos no Iraque tornaram-se o motivo principal para atos de vingança. Foi a vingança que se tornou a base para surgimento do Daesh".

Em busca das armas de destruição em massa no Iraque

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Entretanto, os EUA também explicaram sua presença no Iraque com a tentativa de encontrar e destruir armas de destruição em massa que o país alegadamente possuía. Mas esta segunda "razão" serviu principalmente para obter aprovação da comunidade internacional, principalmente do Conselho de Segurança da ONU.

Finalmente, os EUA não encontraram armas de destruição em massa, mas "conseguiram tornar realidade as suas ambições no Oriente Médio", afirmou o historiador iraquiano Mahmud Anwar.

Implantar democracia por métodos ilegais

O terceiro motivo para invadir o Iraque foi o combate à tirania e implantação da democracia. Isso se tornou o lema principal dos estadunidenses que interferiram nos assuntos internos do país.

Mas em qualquer caso tal atividade contradiz o direito internacional.

De acordo com o especialista egípcio em organizações extremistas, Ahmed Ban, "no mundo moderno não vale a pena contar com as organizações internacionais". Em sua opinião, "os EUA usam a ONU com meio para encobrir seus crimes, conduzir sua própria política e controlar os recursos de Estados menores".

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Em resultado da sua invasão do Iraque, os Estados Unidos conseguiram fortalecer suas posições em torno do controle do mercado internacional de petróleo. Uma série de guerras e a desestabilização da situação no Oriente Médio substituiu completamente os outros assuntos relacionados, por exemplo, com a Palestina e Israel.

Milhares de estadunidenses até o momento permanecem no Iraque. Portanto, no futuro, este país deve decidir o que fazer com os "forasteiros". Agora, cada movimento político no Iraque oferece sua própria solução para o problema. A resposta será anunciada em maio deste ano, quando os iraquianos forem às urnas para eleger um novo Parlamento.

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