Mídia dos EUA lista lições de Putin a próximo líder americano

© Sputnik / Aleksei Druzhinin / Abrir o banco de imagensPresidente da Rússia Vladimir Putin assiste aos testes do caça T-50 (foto de arquivo)
Presidente da Rússia Vladimir Putin assiste aos testes do caça T-50 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A “esplêndida pequena guerra” da Rússia na Síria pode ter encontrado percalços como a queda de um caça bombardeado pela Turquia, mas é fato que as forças armadas de Putin precisaram de apenas seis meses para mostrar que até uma operação militar curta pode mudar o equilíbrio de força em uma certa região.

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A participação russa na Síria provou que uma operação no Oriente Médio pode ter sucesso, diz um artigo no Wall Street Journal. O autor analisou a campanha aérea russa na Síria e listou lições que o próximo líder americano pode aprender com a estratégia de Putin.

Primeiro, um líder deve sempre tomar o lado de alguém em um conflito.

“Um príncipe também é respeitado quando é um verdadeiro amigo ou um inimigo declarado, ou seja, quando, sem se esconder, se declara a favor ou contra um dos lados; isso sempre será melhor do que manter-se neutro”, escreveu Nicolau Maquiavel em seu famoso livro.

Na Síria, Putin apoiou Bashar Assad, o líder legítimo da Síria. Essa postura, segundo o autor, é melhor que o método Barack Obama de tomar o lado da “história” e criticar todos no planeta. É também mais eficiente do que a postura de George W. Bush, de iniciar uma guerra baseada em uma ideia — inclusive democracia.

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O segundo ponto é que qualquer ação deve ser tomada indiretamente. A questão é que um país não precisa combater por conta própria. Ao mesmo tempo, o líder deve estar pronto para apoiar o parceiro e tomar medidas para que a estratégia tenha sucesso.

Durante a guerra nos Bálcãs, os Estados Unidos usaram o Exército croata como parceiro para enfraquecer a influência da Sérvia na Bósnia, afirma o artigo do Wall Street Journal. No Afeganistão, Washington tinha um parceiro na Aliança do Norte, o que explica por que o Talibã foi derrotado tão rapidamente. Entretanto, no Iraque, o uso de combatentes peshmerga curdos como parceiros foi insuficiente, e os EUA precisaram resolver a questão por conta própria.

Se o líder americano não tiver certeza que seus parceiros podem representar perfeitamente os valores americanos, talvez o melhor seja nem iniciar campanhas ou intervenções, diz o artigo.

A terceira lição é estabelecer objetivos realistas. Inicialmente, Barack Obama temia que a campanha russa na Síria pudesse significar outro cenário como o do Afeganistão, mas o Presidente Putin claramente percebeu que seu país não poderia sustentar uma campanha demorada.

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Em vez disso, Putin apostou em uma operação de curto prazo e dinâmica para virar a mesa no conflito sírio e começar as negociações.

Finalmente, o líder em questão deve ter opções para ações futuras. A Rússia retirou a maior parte de suas forças da Síria, mas ainda realiza ataques aéreos e ainda mantém tropas em uma base naval. Putin deixou claro que a Rússia poderia voltar à Síria a qualquer momento.

Os EUA poderiam ter alcançado o mesmo no Iraque ou na Líbia, mantendo presença militar suficiente para abafar insurgentes. 

O que Washington pode fazer na Síria? Segundo o artigo, a melhor estratégia seria abandonar a ideia de ter a Síria como estado unitário, apoiar a autonomia curda e, finalmente, derrotar grupos sunitas jihadistas.

Uma postura assim não resolveria todo o problema sírio. “A questão de uma intervenção não é resolver tudo. E como Putin lembrou o mundo outra vez, tentar solucionar todo não soluciona nada”, conclui o texto.

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