São os EUA culpados por crimes de guerra no Iêmen?

© AP Photo / Hani MohammedMoradores procuram por sobreviventes sob escombros de casas destruídas em ataques aéreos liderados pela Arábia Saudita no Iêmen em 12 de junho de 2015
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Os EUA devem parar imediatamente de vender armas para a Arábia Saudita se não quiserem ser responsabilizados por crimes de guerra cometidos no Iêmen, advertiu nesta quarta-feira (16) a Human Rights Watch.

"O apoio norte-americano à coalizão liderada pelos sauditas (…) faz dos Estados Unidos uma parte do conflito no Iêmen sob a lei internacional. Isto obriga Washington a investigar os ataques aéreos da coalizão que podem ser crimes de guerra pelos quais as forças norte-americanas podem ser responsabilizadas", escreveu o diretor jurídico e de políticas da organização defensora dos direitos humanos, James Ross, em carta ao New York Times.

​A coalizão liderada por Riad vem realizando uma campanha militar no vizinho Iêmen desde março de 2015, depois de grandes áreas do país terem caído sob o controle dos rebeldes xiitas houthis — um grupo político e religioso hostil aos sauditas, que são de maioria sunita, e mais alinhado ao Irã, de maioria xiita.

"Dados os repetidos ataques ilegais da coalizão no Iêmen ao longo do último ano, o que a Human Rights Watch e outros documentaram, os Estados Unidos deveriam parar de vender bombas para a Arábia Saudita ou arriscar a cumplicidade na morte de civis", acrescentou Ross.

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O reino do Golfo, juntamente com Egito, Marrocos, Jordânia e outros países do Oriente Médio e do Norte da África, inicialmente lançou uma série de ataques aéreos sobre as áreas ocupadas pelos houthis e impôs um bloqueio aéreo e naval sobre o país.

Desde o início, os EUA forneceram inteligência, equipamentos e bombas à coalizão. Além de apoiar Riad, sua aliada de longa data na região, Washington também procura apaziguar os sauditas a respeito do acordo nuclear entre EUA e Irã.

No entanto, houve um escalamento da situação nos últimos meses, com o envolvimento de empresas militares privadas e tropas terrestres da Arábia Saudita, ao mesmo tempo em a Al-Qaeda, fortalecida, preenche gradativamente o vácuo de poder no país.

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Inclusive nos EUA, muitas vozes se levantaram contra a decisão da Casa Branca de apoiar a campanha militar contra o Iêmen. A resposta do governo Obama tem sido a de que os EUA estão empenhados em ajudar os sauditas em sua luta contra os rebeldes houthis, e que isso não significa que Washington vá apoiar e estimular todas as guerras por procuração que o reino trava com o Irã no Oriente Médio.

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