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Opinião: húngaros não querem aceitar de volta imigrantes que seguiram para outros países

© Sputnik / Yurij Kaver  / Abrir o banco de imagensBudapeste, Hungria
Budapeste, Hungria - Sputnik Brasil
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A Hungria anunciou nesta terça-feira a suspensão unilateral de um regulamento-chave sobre a questão da imigração na União Europeia, alegando a intenção de proteger os interesses húngaros.

Com a decisão desta terça-feira, o país deixa de ser obrigado a aceitar de volta os imigrantes que entraram na União Europeia pelo seu território e, em seguida, se mudaram para outro Estado europeu.

Em entrevista à Sputnik, o acadêmico Tamás Pál, diretor do Centro de Política Social da Universidade de Budapeste Corvinus, comentou a decisão do seu governo e a repercussão da medida na imprensa internacional.

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“É muito barulho por nada. Através da Hungria, um grande fluxo de refugiados trafegam em direção da Áustria e da Alemanha. Na semana passada, Alemanha e Áustria decidiram passar a devolver os refugiados para os países, pelos quais eles chegaram, ou seja, para nos. Nos, por outro lado, não temos como receber dezenas de milhares de albaneses de Kosovo e não temos recursos para os manter”, disse Tamás Pál.

“O que a Hungria quer? O país quer (apesar disso ser ruim) fechar a fronteira com a Sérvia. São 150 quilômetros e haverá arame farpado alí”, explicou o professor, citando o exemplo da Espanha, que cerca os seus territórios na África, para evitar imigrantes daquele continente.  

“Assim como na Espanha, na Hungria trata-se da independência da jurisdição local”, afirmou o acadêmico. Segundo ele, Alemanha e Áustria não conseguem devolver os refugiados para os países de origem, pois não há dispositivos legais para isso. Ou seja, por enquanto a solução tem sido devolver os imigrantes para as fronteiras da União Europeia.

Tamás Pál  acredita que a decisão do seu governo não afetará as relações com Bruxelas. Segundo ele, União Europeia está buscando novas formas de lidar com o fluxo de refugiados e um dos sistemas mais discutidos seria o de cotas por país, considerando a população e a economia de cada membro do bloco. “Com esse sistema, Hungria teria um cota de 10 mil refugiados, contra os 50 mil que temos hoje”, afirmou.

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“Desde 1 de janeiro, recebemos 60 mil imigrantes. Eles estão alocados nas casernas do antigo tratado de Varsóvia. Essas instalações precisam de manutenção. Atualmente elas não estão aptas a receber as famílias e crianças. Quem cuidará dessas pessoas? Quem fornecerá acompanhamento médico? Tudo isso é um grande fardo para o nosso orçamento. Por isso, a decisão de parar de receber refugiados é apoiada pelos húngaros”.

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