Hezbollah declara guerra à Frente al-Nusra na Síria

© AFP 2022 / Anwar AmroLíder do Hezbollah, Hassan Nasrallah
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O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, declarou em discurso televisionado na terça-feira (5) que seu grupo vai lançar um ataque contra os insurgentes sunitas da Frente al-Nusra – grupo vinculado à al-Qaeda na Síria.

"O Estado [libanês] não é capaz de lidar com esse assunto… Portanto, nós vamos proceder com o tratamento necessário e assumir a responsabilidade e as consequências", disse Nasrallah.

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A mídia local e a oposição síria especulam que o ataque pode começar dentro de poucos dias na região de Qalamun, área montanhosa situada na fronteira com o Líbano. Segundo Nasrallah, a ofensiva será anunciada “por si mesma” quando acontecer. O líder do Hezbollah confirmou que será em Qalamun, mas disse que não revelaria, por enquanto, o objetivo, o local exato nem quanto tempo duraria o confronto.

As autoridades libanesas advertiram o Hezbollah contra a intenção de lançar um ataque transfronteiriço, temendo arrastar o Líbano para um novo conflito por causa da guerra na Síria. A organização xiita é uma forte aliada do presidente sírio, Bashar Assad, cujas tropas combatem há mais de quatro anos diversos grupos rebeldes no país, incluindo o Estado Islâmico.

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Ao lado das forças governamentais de Damasco, o Hezbollah já perdeu dezenas de combatentes na Síria, dentre eles vários comandantes de destaque. Agora, Beirute teme que a incursão do grupo em Qalamun também possa pôr em perigo as vidas dos soldados e policiais libaneses sequestrados no ano passado pelos terroristas da Frente al-Nusra e do Estado Islâmico na região. Alguns deles já foram mortos, segundo as autoridades libanesas.

A guerra na Síria transbordou para o Líbano em diversas ocasiões nos últimos anos, com carros-bomba e ataques suicidas em Beirute, combates na cidade de Trípoli (norte do Líbano) e ataques com foguetes contra cidades do Vale do Beqaa, perto da fronteira. A al-Nusra têm sido particularmente ativa nas áreas próximas à fronteira entre o Líbano e a Síria, e ataca posições tanto do Exército libanês quanto do Hezbollah.

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Os grupos rebeldes que lutam contra as tropas de Assad na Síria foram financiados pelos EUA, segundo apontou o professor Fabiano Mielniczuk em entrevista recente à Sputnik, principalmente devido à aliança entre o regime de Damasco e o Irã, maior inimigo da Arábia Saudita, que, por sua vez, é a maior aliada dos EUA na região. Porém, como evidencia o avanço aterrorizante do Estado Islâmico — um dos grupos rebeldes surgidos no contexto da insurgência contra Assad —, a política norte-americana de intervir nos assuntos internos de outros países mais uma vez fugiu do controle. O próprio presidente Barack Obama assumiu que a emergência do Estado Islâmico é resultado das ações de Washington no Oriente Médio. Agora, suas consequências começam a abalar a própria segurança interna dos EUA, a julgar pelo recente ataque do grupo terrorista no Texas e pelas constantes ameaças feitas contra o país.   


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